Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
Bertold Brecht disse:
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso,
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso,
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei.
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
Ninguém se importa comigo.
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