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Luana Esteche (Foto: Divulgação)
REFLEXÃO

Março termina. E o que realmente muda para as mulheres?

A questão que sobra é menos festiva: o que, de fato, muda para as mulheres quando o mês acaba?

Luana Esteche
Luana Esteche Jornalista
2 min de leitura

Luana Esteche (Foto: Divulgação)

Março se encerra e, com ele, também o repertório conhecido de campanhas, homenagens e declarações. A questão que sobra é menos festiva: o que, de fato, muda para as mulheres quando o mês acaba? A política já aprendeu a linguagem da valorização feminina. Ainda resiste, porém, às mudanças concretas que essa linguagem exige. O problema não está só na visibilidade, mas no reconhecimento efetivo, na autonomia, no acesso a oportunidades e na legitimidade para ocupar espaços de decisão. Na vida cotidiana, persistem a sobrecarga, a desigualdade no trabalho, a divisão desproporcional do cuidado e a violência que atravessa a experiência feminina. Na política, a contradição é igualmente nítida: mulheres são maioria do eleitorado, mas seguem distantes, em termos proporcionais, dos núcleos de comando. Março costuma oferecer reconhecimento simbólico em abundância. O que oferece bem menos é mudança real. Fala-se sobre a importância das mulheres, mas com menor disposição para alterar as condições concretas em que elas vivem, trabalham, participam e lideram. Esse é o ponto que o fim do mês expõe sem enfeite: entre a homenagem e a transformação, o país ainda se mostra mais confortável com a primeira. Se março termina sem reduzir a violência, sem enfrentar a desigualdade e sem ampliar o lugar das mulheres na vida pública, então seu saldo é menor do que sua liturgia sugere. Porque o mês acaba. O problema, não. (*Luana Esteche Nunes é advogada, Doutora em Direito pelo IDP/ Brasilia, com atuação em Direito Civil, Digital, do Consumidor e Público e Mestre em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia) Leia outras notícias no Portal RSN.
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Sobre o autor

Luana Esteche

Luana Esteche

Jornalista

Luana Esteche Nunes é advogada, Procuradora geral da Câmara de vereadores de Guarapuava e Doutora em Direito pelo IDP/ Brasilia, com atuação em Direito Civil, Digital, do Consumidor e Público.