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Preço da gasolina deve aumentar em média R$ 0,10 em fevereiro

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
3 min de leitura

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As duas principais opções de combustíveis nos postos brasileiros terão aumento de preço nas próximas semanas. A partir de 1º de fevereiro, a mistura obrigatória de álcool anidro na gasolina passa de 25% para 20%. Como o derivado da cana-de-açúcar é mais barato que o combustível fóssil, o aumento esperado para a gasolina é de R$ 0,10 por litro, pelas contas do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do Paraná (Sindicombustíveis-PR). A redução de álcool na mistura é uma medida do governo federal para evitar o desabastecimento do mercado. De acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a produção de álcool no centro-sul do Brasil, na safra 2009/10 (até 1º de janeiro), foi de 22,7 bilhões de litros – volume 7,69% menor do que o registrado no mesmo período, na safra 2008/09 (24,6 bilhões de litros). Do etanol produzido, 16,6 bilhões de litros foram de álcool hidratado – que abastece os veículos flex – e 6,1 bilhões de litros foram de álcool anidro – que é misturado na gasolina. Não faltou cana para produzir o combustível, mas o preço mais atraente para o açúcar e a forte incidência de chuvas no segundo semestre atrapalharam a produção. Com o tempo chuvoso, 60 milhões de toneladas de cana deixaram de ser retirada das lavouras. Matemática Ao substituir 5% de álcool por gasolina, o resultado é uma mistura com valor mais elevado. Isso por que a gasolina é mais cara que o etanol. “O álcool entra na mistura reduzindo um quarto do litro. Se reduzirmos o porcentual de álcool, sobe o preço da mistura”, explica o superintendente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Paraná (Alcopar), Adriano Dias. Ele revela que no Paraná, das 30 indústrias produtoras de etanol, 13 estão paralisadas para manutenção e 17 ainda tentam retirar cana-de-açúcar dos campos para processamento, lutando contra o tempo ruim. “Elas tentam reduzir um pouco o prejuízo e também têm que cumprir contratos, mas os equipamentos de colheita têm dificuldade de trabalhar com o tempo chuvoso”, ressalta. A Alcopar estima que com a redução de 5%, 108 milhões de litros de álcool anidro deixarão de ser adicionados à gasolina por mês. Para o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese, o corte de 5% não vai colaborar com o aumento da oferta de álcool hidratado e consequente redução de seu preço. “Com o aumento de preços nos últimos meses, muitos consumidores migraram para a gasolina. Esse volume de 108 milhões de litros de álcool anidro por mês será absorvido pela própria demanda por gasolina, que aumentou”, explica Fregonese. Cide A federação de revendedores de combustíveis pressiona o governo para que reduza a tributação sobre o produto, para minimizar a alta de preços. A Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide) representa R$ 0,28 por litro de gasolina no Paraná. “A Cide serve para isso mesmo: um colchão para momentos de alta nos preços. Seria muita insensibilidade do governo não reduzir o tributo”, comenta o presidente do Sindicombustíveis. Fonte: O Diário do norte do Paraná

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