Produção de cevada pode crescer 11% este ano no Paraná

Guarapuava é a principal Região produtora. Colheita da cevada pode chegar a 290 mil toneladas. Safra de grãos deve atingir 40 milhões no PR

Produção de cevada pode crescer 11% este ano em relação a safra anterior. Guarapuava é a principal Região produtora (Foto: Jaelson Lucas/AEN)

O início da colheita da cevada, um dos grãos de inverno importantes no Paraná, já começou. E a notícia é boa. Conforme o Boletim Semanal de Conjuntura Agropecuária, produzido por técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), a expectativa é grande para que a produção ultrapasse em 11% o registrado no ano passado. Assim, o volume da colheita atingiria 290 mil toneladas.

Neste ano, os produtores ocuparam 63.058 hectares com a cultura, repetindo praticamente a mesma área de 2019. Em Guarapuava, principal Região produtora, a geada de agosto não afetou o desenvolvimento da cevada. Além disso, a chuva do início de setembro ajudou a cevada. A colheita começa agora, e deve se acentuar no início de outubro. Conforme os técnicos do Deral que percorrem o campo, por enquanto a colheita representa 1% da área plantada.

De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Rogério Nogueira a Região de Guarapuava, que tem mais de 60% da cevada cultivada no Estado, teve chuvas na hora e local certo e não houve prejuízos. Mas a preocupação é com as lavouras de cevada da Região de Ponta Grossa, segundo maior polo, onde a falta de chuvas pode provocar danos.

SAFRA 2019/20

40 milhões de toneladas de grãos deverão ser produzidos no Paraná na safra 2019/20 (Foto: Jaelson Lucas/AEN)

A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento divulgou relatório mensal de acompanhamento da safra nesta sexta (25), relativa ao mês de setembro. São estimados 24,3 milhões de toneladas para a safra de grãos de verão 2020/21. Entretanto, para a safra total de 2019/20, em fase de encerramento, a previsão é de safra com 40,8 milhões de toneladas no Paraná.

O Paraná começa a plantar a safra de grãos de verão 2020/21. Porém, a continuidade do clima seco, que se configurou na maior estiagem dos últimos 100 anos conforme o Simepar, é a maior preocupação dos produtores.

TRIGO

A seca porém, não impactou muito as lavouras de inverno como trigo e cevada. Mas o trigo foi mais afetado pela falta de chuvas nesse último mês. Com isso, a expectativa de produção reduziu de 3,5 milhões de toneladas em agosto, para 3,3 milhões de toneladas em setembro. As maiores perdas de trigo ocorreram nas Regiões de Campo Mourão, Cascavel, Londrina e Maringá. Mesmo assim, espera-se uma produção boa, 55% maior que no ano passado.

Cerca de 44% da área plantada já foi colhida e os produtores estão sendo compensados com a elevação nos preços. Houve um aumento de 25% nos preços do trigo em um ano. Eles passaram de uma média de R$ 46,19 a saca com 60 quilos em agosto do ano passado para R$ 57,64 em agosto deste ano. Hoje, os preços estão um pouco mais elevados, em torno de R$ 62,47 a saca.

SOJA

O clima ainda está muito seco para o plantio da soja. Por enquanto houve cultivo apenas na Região Sudoeste. Na média dos últimos três anos, o plantio já teria ocupado uma média de 8% da previsão de área plantada. No ano passado nessa mesma época já havia 3% da área prevista plantada. Assim o Deral está prevendo um plantio recorde de 5,54 milhões de hectares na safra 20/21.

De acordo com o economista Marcelo Garrido, o produtor não está propenso a plantar enquanto as chuvas não retornarem com mais intensidade. O que vem sendo um pouco difícil em ano de anúncio da corrente La Niña, em que a incidência de chuvas nas Regiões Sul e Sudeste é menor. A soja continua com preços elevados, em torno de R$ 127 a saca com 60 quilos.

(Foto: Reprodução/AEN)

MILHO

Ao contrário da soja, esse percentual não é muito se considerar que a previsão é plantar 360 mil hectares na primeira safra. A maior parte do plantio de milho ocorreu nas regiões de Ponta Grossa, Guarapuava e Região Metropolitana de Curitiba. Juntas, essas Regiões detêm mais de 50% de toda a área plantada no Estado nesse período do ano.

O ideal para o plantio ocorre nos meses de outubro e novembro. Mas os produtores preferem antecipar para plantar a segunda safra de milho com mais folga no início do ano que vem. A segunda safra de milho do período 2019/20 terminou com bons preços para o produtor. Além disso, representa uma perda de produção em relação ao que vinha sendo esperado. Está com 98% da área plantada já colhida, devendo alcançar um volume de 11,7 milhões de toneladas.

Cerca de 1,5 milhão de toneladas a menos que a expectativa inicial do Deral, que era colher 13,1 milhões. Nessa safra o plantio abrange 2,28 milhões de hectares. A cultura sofreu prejuízo pela falta de chuvas. Ao contrário da soja, o milho não é vendido de forma tão antecipada. Assim, vendeu-se somente 8% da produção esperada de milho para a safra 20/21.

FEIJÃO PRIMEIRA SAFRA

De acordo com disse o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, a falta de chuvas também prejudica o plantio do feijão. Principalmente, na primeira safra que precisa de mais umidade para se desenvolver. Conforme o engenheiro, há áreas plantadas na Região de Ponta Grossa e Região Metropolitana de Curitiba. Mas o produtor está bem preocupado porque a ocorrência de chuvas este ano está sendo escassa. Assim, em anos anteriores o plantio já tinha avançado bastante, sendo que havia 31% da área plantada no ano passado, 42% no ano anterior e 51% em 2018.

O período indicado para plantar a primeira safra vai até dezembro. Porém o produtor quer antecipar a lavoura para plantar a segunda safra de grãos. A irregularidade do clima afeta não só o plantio como a comercialização também. Por conta da retenção do feijão na Região Centro-Oeste, o feijão de cor, que era vendido em média por R$ 193 a saca, foi comercializado por uma média de R$ 245 a saca com 60 quilos. Um aumento de 27%.

Já o feijão-preto, cuja importação foi autorizada pelo Ministério da Agricultura, teve um aumento em torno de 6% no mesmo período. Desta forma, passou de R$ 225 a saca para R$ 238.

(Foto: José Fernando Ogura/ANPr)

CAFÉ

A colheita da safra de café 2020/21 já foi concluída e rendeu um volume de 943 mil sacas com 60 quilos, repetindo a do ano passado. De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Paulo Franzini, a colheita atinge 10% a menos do que o esperado devido a irregularidade das chuvas. “Como o café é uma cultura perene, a preocupação do produtor agora é com a safra do ano que vem”.

Embora o café seja uma commoditie de valor elevado, em torno de R$ 500 a saca com 60 quilos, o fato é que esse preço não remunera os custos de produção. O cafeicultor paranaense está vendendo a produção à medida que precisa liquidar débitos do plantio. Este ano já vendeu 47% da produção.

MANDIOCA

A mandioca é outro produto que está sofrendo com a estiagem severa no Paraná. A cultura ocupou uma área de 150 mil hectares, com concentração na Região Noroeste do Estado. A expectativa de produção é 3,60 milhões de toneladas. Conforme o Deral, está difícil plantar e colher em função do solo muito endurecido. Na colheita aumenta a perda de raiz e aumenta também o custo da mão de obra e o rendimento dos trabalhadores é bem menor.

Os preços da mandioca que vinham muito baixos ao produtor estão dando sinais de reação com a volta das indústrias de fécula e farinha à atividade. Elas ficaram paralisadas com a pandemia. Atualmente os preços estão em torno de R$ 351 a tonelada, longe dos R$ 415 a tonelada registrados no início do ano.

(Foto: Geraldo Bubniak/AENPr)

ESTIAGEM

Para o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, o quadro pode ser preocupante por causa da falta de chuvas. Mas ele espera uma boa safra de grãos no Estado no ano que vem. Conforme ortigara, a expectativa de safra é sempre conservadora no início. Porém, pode surpreender no decorrer do desenvolvimento das lavouras e com a normalização do clima.

Além disso, ele citou o avanço importante da colheita de trigo no Paraná. Assim, que está rendendo uma excelente produção, em que o produtor está sendo compensado, com a boa qualidade dos grãos e elevação nos preços. Por fim, em relação à falta de chuvas, Ortigara disse que o produtor ainda pode trocar o cultivo. Assim, usando as de ciclo mais curto quando tiver mais umidade no solo para não comprometer tanto o desempenho da safra.

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