O Partido dos Trabalhadores de Guarapuava emitiu uma nota de repúdio a respeito da ação policial na noite desse domingo (25), após o fim das eleições. O partido chamou a ação de truculenta "durante as manifestações populares realizadas em Guarapuava, após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."
Ainda conforme a nota, durante todo o dia, "setores bolsonaristas anteciparam comemorações pelas ruas da cidade. Sem nenhum impeditivo policial. Após a confirmação da vitória, a militância democrática também foi às ruas celebrar o resultado das urnas, exercendo um direito legítimo em qualquer democracia".
"O que deveria ser um momento de celebração democrática terminou marcado por violência. Policiais utilizaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta, além de agredirem uma de nossas filiadas. Além disso foi detida, inicialmente sob a alegação de desacato à autoridade. Não aceitaremos que a força do Estado seja utilizada para intimidar, agredir ou silenciar cidadãos que exercem seus direitos democráticos. A atuação policial deve ser pautada pela legalidade, pela proporcionalidade e pelo respeito à integridade física e à dignidade de todas as pessoas".
A nota também informou que o partido se solidariza com "os militantes atingidos e exigimos esclarecimentos sobre a operação, a apuração rigorosa das agressões e a responsabilização de eventuais agentes envolvidos em abusos. A democracia não se encerra nas urnas. Ela se fortalece nas ruas, na liberdade de manifestação e no respeito às diferenças políticas. A polícia existe para proteger a população, não para violentá-la".
Por fim, a nota traz o texto: "O Partido dos Trabalhadores de Guarapuava não se calará diante de qualquer violação de direitos. Seguiremos defendendo a democracia, a liberdade de expressão e o direito do povo de ocupar os espaços públicos sem medo de violência ou perseguição".
AÇÃO POLICIAL
A Polícia Militar e equipes do Choque fizeram uma intervenção no fim da noite desse domingo (25) em uma comemoração na frente de um bar em Guarapuava, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A abordagem terminou com a prisão de uma pesquisadora e foi seguida por momentos de tensão, uso de spray de pimenta e bombas de efeito moral.
De acordo com relatos das pessoas que estavam no local, a comemoração transcorria de forma pacífica até a chegada dos policiais, que solicitaram a desocupação da via pública em frente a um bar. Ainda segundo os relatos, parte das pessoas foi para a calçada e outras permaneceram nas proximidades do estabelecimento. Algumas também recolhiam o lixo deixado na rua.
Vídeos gravados durante a ocorrência mostram um policial aplicando um golpe conhecido como “mata-leão” na pesquisadora. À reportagem, a companheira da pesquisadora, afirmou que a justificativa apresentada para a prisão foi desacato. "Mas ela estava recolhendo o lixo quando foi abordada".
Após a prisão, pessoas que acompanhavam a ação questionaram a conduta policial. Na sequência, um policial utilizou spray de pimenta. Os policiais que estavam fortemente armados e com as armas apontadas para as pessoas também lançaram bombas de efeito moral e direcionaram as pessoas para dentro do bar.
O Portal RSN fez contato na noite desse domingo (25) e na manhã desta segunda (26) com a Comunicação da Polícia Militar para obter esclarecimentos sobre a abordagem e a prisão. O relatório policial diário enviado à imprensa não trouxe a ocorrência hoje. Questionado, o setor de comunicação da PM apenas informou ao Portal RSN que o material será enviado.
NOTA DE REPÚDIO DE CENTRO ACADÊMICO DA UNICENTRO
O Centro Acadêmico Popular Marilda Iamamoto, do curso de Serviço Social da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), manifestou "veemente repúdio à atuação violenta e truculenta da Polícia Militar e do Batalhão de Choque na noite do último domingo (25), em Guarapuava".
Segue a nota na íntegra:
"O que deveria ser um momento de celebração popular foi marcado pela repressão policial, com a utilização de bombas de efeito moral, spray de pimenta e denúncias de agressões físicas, culminando na prisão da pesquisadora Renata Kempf, em circunstâncias que exigem esclarecimento e rigorosa apuração. Renata é integrante do Núcleo de Pesquisa Joana de Andrade: Tabankas, Quilombos e Terreiros, doutora pelo PPGMADE e pesquisadora de reconhecida trajetória acadêmica. Sua tese, orientada pela Profa. Dra. Carolina dos Anjos de Borba, recebeu o reconhecimento de melhor tese na área de Ciências Ambientais na 18ª edição do Prêmio CAPES de Tese (2023). Enquanto estudantes de Serviço Social, reafirmamos nosso compromisso ético-político com a defesa intransigente dos direitos humanos, das liberdades democráticas e da luta contra todas as formas de opressão e violência institucional. Não podemos naturalizar a violência de Estado como resposta às manifestações populares. A segurança pública deve estar a serviço da população, e não ser instrumento de intimidação, criminalização e repressão daqueles que exercem seus direitos".