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Respeitável público!

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
4 min de leitura

“ Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor! E o palhaço o que é? É ladrão de mulher”! Quem é que ao ouvir essas frases não lembra do tempo de infância quando a lona colorida, às vezes rasgada e tosca, era erguida para revelar dentro de si o mundo mágico do circo? Fora, o cheiro de pipoca, o algodão doce, as jaulas com animais selvagens, as crianças afoitas. Dentro, o picadeiro, o equilibrista, os animais adestrados, os trapezistas que tiram o fôlego com suas acrobacias no ar sem redes de segurança embaixo, a mulher gorila, o globo da morte, os malabaristas, o mágico com a sua cartola cheia de segredos, repleto de surpresas. Os olhos atentos, porém, buscam aquele que proporciona a explosão do riso contido: o palhaço. Afinal, circo que não possui palhaço não é circo. Bom tempo aquele! E já faz muito tempo em que imperador romano Vespasiano, mentor da construção do Coliseu bradou: “Pão e circo para o povo”.

Escrevo isso porque uma nota no site da Prefeitura vem chamou a atenção e me remeteu ao passado (acho que ando melancólica nos últimos dias). A informação é que na última quarta-feira (11) membros da Oficina de Circo se reuniram para avaliar as atividades do primeiro e planejar o segundo semestre. Lá estavam o Tomaz, que prefiro chamar de Formigão porque assim a maioria saberá de quem estou falando. É ele que dá vida ao Palhaço Goiabada. Estavam também, outras duas oficineiras identificadas apenas como Jaqueline e Bianca. De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura a Oficina de Circo existe há sete anos e realiza trabalho nas 43 escolas do município. Confesso que foi a primeira vez que vi algo sobre essa atividade no site oficial e olha que recebo o boletim diariamente. Louvável o trabalho de quem acredita na arte popular, de quem precisa apenas de tinta branca, batom carmim, calcas exageradamente largas, sapatos enormes e muito talento para fazer rir quando muitas vezes a vontade é chorar.

Mas a notinha dispensada ao trabalho desses artistas me fez lembrar que ainda não temos o circo que seria construído junto ao Parque do Lago, promessa feita pelo prefeito Fernando Ribas Carli durante a campanha para a sua última reeleição. O projeto, segundo o prefeito, seria destinado à Companhia de Teatro Arte e Manha, trupe com talento de sobra para executar esse trabalho. Mas ainda há tempo, afinal em período eleitoral sempre há mágicos capazes de tirar da cartola as obras que acontecem em tempo recorde, os projetos que há anos estão guardados, até mesmo as promessas esquecidas criam asas.

Respeitável público! O circo está de volta com suas cores vibrantes, suas encenações dramáticas, seus malabarismos ousados. Um misto de melancolia e diversão, superação no limite do corpo e da mente.Todos fazemos parte de um grande circo onde somos palhaços, malabaristas, equilibristas, domadores e domados.

Mas será que os meninos continuarão com os olhos arregalados, para momentos depois relaxarem e fazer com que a expressão tensa se transforme em riso, as mãos se descruzem para explodirem palmas?
Será que os palhaços estarão mesmo no picadeiro e continuarão sendo sinônimo de arte? Será que o pão não será feito com outra massa? E o palhaço continuará sendo apenas “ladrão de mulher”?


.......“O bom menino não faz xixi na cama/ O bom menino não faz mal criação/ O bom menino vai sempre à escola/ E na escola aprende sempre a lição
"Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor! E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher!”........

* A minha homenagem ao todos os artistas, principalmente, às trupes de rua, ao artista popular, aos circenses. Enfim, à arte e a quem faz arte na sua essência! Um viva ao talento de todos os artistas!

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