Por Costa Kotzias - Inaugurou-se a estátua, gastou-se algum trocado, ganhou o escultor, ganhou o auxiliar, ganhou sabe Deus quem mais.
Marcou-se um show para determinada hora, teve início horas depois, pagaram o cachê do cantor, ganhou o cantor, ganhou o assessor, ganhou o mal feitor, enfim, somando estátua, mídia, show e o diabo a 4, alguns saíram ganhando.
Quem perdeu?
A cidade.
O morador tradicional, antigo e que anseia por uma atividade cultural, que não tem.
O morador que corre o dia todo, que espera alguma coisa de alegre e não vê.
O morador que não quer bolos e nem velas, mas quer luz na sua rua e vida decente para viver. Não tem.
O morador que pega a família para passear pela cidade e sacoleja em ruas esburacadas. Mas não vê consertos.
Quem perdeu?
Mais uma vez perdem muitos e ganham poucos.
Obviamente alguns se divertiram, o show cumpriu seu papel, políticos e assessores gostaram, elogiaram, elevaram méritos para estátua. Assim toca a música de quem está dentro do Paço.
Aqui fora, professores reclamam de salários, a região empobrece a cada mês que passa, leis são votadas com base em acordos, a política que deveria proporcionar o crescimento e a evolução do município, é usada para outros fins.
Muda-se a data de aniversário, altera-se uma tradição, age-se como se fosse a única palavra a ser seguida.
Abafam-se ecos, desconsideram-se protestos, ignoram opiniões alheias.
Como diziam os antigos, “cagam e andam para o povo”.
Como dizia minha avó, “deixa estar jacaré....a lagoa há de secar”.
Um dia, caiu a Bastilha. E começou pelo menosprezo da corte para com o povo.
Mas um dia, caiu.
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