Vendas de Natal movimentam o final de ano

O dinheiro injetado no comércio graças ao 13º salário e a comemoração do Natal, data caracterizada pela compra de produtos com o objetivo de presentear familiares e amigos, faz com que a economia tenha em dezembro seu grande “oásis”. De todo o dinheiro movimentado durante o ano, cerca de 10% vem do período. Além disso, o movimento normalmente dobra nas lojas.
Em 2009, o 13º salário ou gratificação natalina deve injetar 84,8 bilhões de reais na economia brasileira, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No Paraná serão quatro bilhões de reais e em Guarapuava, de acordo com estimativas da Associação Comercial e Industrial de Guarapuava (ACIG), 40 milhões de reais.
Na cidade, a expectativa é de uma Natal melhor para a economia do que o do ano passado. “Em 2008 estávamos no meio de uma crise. Hoje a economia está melhor, o poder aquisitivo é maior”, afirma o presidente da ACIG, Valdir Grígolo. Além da gratificação natalina, ele cita a restituição do Imposto de Renda, a maior da história segundo a Receita Federal, e o terço de férias como outros fatores que contribuem para o acréscimo no consumo.
A ACIG espera para este ano um aumento entre 20% a 25% no consumo para o Natal. O economista e professor da Unicentro, Ernesto Franciosi, destaca quais áreas da economia apresentam maior ganho com as vendas de fim de ano. “Normalmente os setores de comércio e serviço são os que mais apresentam acréscimos”, afirma.
Vendas chegam a dobrar
As lojas de presentes em geral estão entre as que mais lucram. “Por enquanto, estamos vendendo mais enfeites, como árvores de natal e demais artigos para decoração. Já a partir do início de dezembro começam a ser vendidos mais presentes, como brinquedos e artigos para confraternizações”, afirma Deise Francielly da Silva, proprietária de uma loja. Ela informa ainda que as vendas dobram nessa época do ano.
Nas lojas de roupas, o mês de dezembro também se apresenta como o mais promissor para as vendas. Assim como nas lojas de presentes, o movimento frequentemente dobra, influenciado também pelo calor de fim de ano. “Por enquanto as pessoas estão pesquisando apenas. Mas a partir do começo de dezembro as vendas aumentam consideravelmente”, afirma o vendedor de uma loja, Leonardo Altomar. Ele comenta também que as roupas mais vendidas são camisetas, blusinhas e bermudas, em virtude da chegada do Verão.
Além da maior quantidade de dinheiro disponível no fim do ano, o comércio possui outras armas para atrair os consumidores, como promoções, campanhas de marketing e publicidade. A última, em particular, apela a aspectos psicológicos dos consumidores, mais propensos a comprar em épocas festivas. “A publicidade é um serviço sazonal. O comércio, de olho nas vendas de fim de ano, é quem mais procura as agências”, comenta o publicitário e professor da Faculdade Campo Real, Robinson Medeiros. Mas ele informa também que a quantidade de serviço possui outras particularidades. “Nas agências que prestam serviço a empresas do varejo o movimento é maior. Já nas agências que trabalham com áreas institucionais das empresas, a quantidade de serviço aumenta, mas nem tanto quanto no primeiro caso”.
Pagamento de dívidas
O 13º também é usado por muitas pessoas para o pagamento das dívidas acumuladas ao longo do ano. O diretor para assuntos do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) de Guarapuava, José Divonzil Silva, fala sobre o serviço no fim de ano. “Na época de Natal, a procura aumenta. De posse do 13º, as pessoas procuram pagar as contas, diminuindo o número de inadimplentes”, destaca, já que para que novas compras sejam realizadas, é necessário que as pessoas não tenham dívidas pendentes junto ao serviço.
Segundo uma pesquisa divulgada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), no Brasil 64% dos consumidores pretendem pagar dívidas com o 13º salário. Em Guarapuava essa perspectiva é um pouco diferente. A ACIG espera que 50% do dinheiro acrescido no Natal seja destinado ao consumo de novos produtos e 50% ao pagamento de dívidas.

As origens do 13º salário
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o 13º salário não foi instituído no governo Getúlio Vargas. A gratificação foi criada na presidência de João Goulart em 1962, e regulamentada no início da ditadura militar instaurada no país com o golpe de 1964. Mas, de fato, boa parte dos direitos trabalhistas surgiu com Vargas.
Entre eles estava a limitação da jornada de trabalho em oito horas, a regulamentação do trabalho noturno, das mulheres e de menores de idade, além da instituição do direito a férias. Embora os direitos trabalhistas não tenham sido criados por Vargas a partir de 1930, ele foi o primeiro presidente a se preocupar com a existência de uma legislação trabalhista. Não sem uma contrapartida, já que o mesmo presidente que concedeu os benefícios trabalhou em prol do enfraquecimento do sindicalismo, conforme o historiador Boris Fausto destaca na obra História Concisa do Brasil.
A gratificação natalina, criada na década de 1960, diz respeito a “1/12 (um doze avos) da remuneração por mês trabalhado”. Ou seja, a remuneração extra de um mês de trabalho. O empregador também é obrigado a obedecer prazos, já que a primeira parcela do 13º deve ser paga entre fevereiro e novembro, enquanto a segunda precisa ser quitada até 20 de dezembro.
Apesar de representar um grande avanço nos direitos dos trabalhadores e injetar dinheiro na economia, é inegável o caráter político da gratificação natalina, assim como as demais concessões realizas aos trabalhadores. Não existe nada de altruísmo nesses casos. “Vargas comandou um governo populista, sendo chamado, inclusive, de o “pai dos pobres”. Na verdade ele estava interessado em atrair os trabalhadores para os projetos pessoais dele próprio”, afirma o historiador e professor da Unicentro, Ariel José Pires.

O que você irá fazer com
o dinheiro do 13º?

Vou gastar naquilo que não consegui fazer durante o ano. Pretendo utilizar o dinheiro, principalmente, para realizar reformas e pinturas na minha casa.
Eloir dos Anjos, 45 anos, funcionário da Mitra Diocesana

Com o dinheiro do 13º vou pagar as contas acumuladas durante o ano.
Clézio Luiz Serraglio, 34 anos, policial civil

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