Em Prudentópolis, o pierogue e o vareneke são muito mais do que pratos típicos. Fazem parte de uma herança cultural que chegou com os imigrantes poloneses e ucranianos e permanece viva nas cozinhas das famílias, nas festas comunitárias e nas receitas transmitidas entre gerações.
Agora, essa tradição ganha um novo capítulo com o 1º Concurso de Pierogue/Vareneke, que terá como prêmio uma viagem à Polônia. As inscrições ocorrem de 20 a 26 de outubro.
A iniciativa coloca em destaque uma das expressões mais afetivas da gastronomia regional. Afinal, preparar pierogue ou vareneke é um ritual que começa muito antes de a massa chegar à panela. Está no cuidado com o recheio, no movimento das mãos que fecham cada unidade e naquele conhecimento passado de mãe para filha, de avó para neto, muitas vezes sem medidas exatas ou receitas escritas.
UMA HISTÓRIA QUE ATRAVESSOU O OCEANO
A origem desses pratos está ligada às tradições culinárias da Europa Central e Oriental. Na Polônia, o pierogi tornou-se um dos símbolos da gastronomia nacional. Na Ucrânia, o vareneke, conhecido como varenyky, ocupa lugar semelhante na cultura alimentar. Embora apresentem diferenças regionais, ambos são preparados com massas recheadas, tradicionalmente cozidas em água.
Batata, queijo, repolho, cogumelos e carne estão entre os recheios mais conhecidos. Também existem versões doces, especialmente com frutas. As receitas variam conforme a região, a disponibilidade de ingredientes e os costumes familiares.
A presença dessas massas na culinária europeia é antiga, embora sua origem exata seja objeto de diferentes interpretações históricas. Ao longo dos séculos, tornaram-se alimentos associados à vida doméstica, às celebrações e à identidade cultural de diferentes povos.
DAS TERRAS EUROPÉIAS AO INTERIOR DO PARANÁ
Em Prudentópolis, essa história ganhou novos significados com a chegada dos imigrantes, especialmente a partir do fim do século XIX. Famílias ucranianas e polonesas trouxeram não apenas seus costumes religiosos e sua língua, mas também uma cultura alimentar que encontrou espaço nas comunidades rurais do município.
Com o passar do tempo, as receitas foram adaptadas aos produtos disponíveis na região. O preparo das massas recheadas tornou-se parte das reuniões familiares, das celebrações religiosas e das festas comunitárias.
Mais do que reproduzir uma tradição europeia, os descendentes construíram uma identidade gastronômica própria, em que ingredientes locais e conhecimentos herdados dos antepassados passaram a conviver na mesma receita.
Por isso, em muitas famílias prudentopolitanas, o segredo de um bom pierogue ou vareneke não está num livro de culinária. Está na memória de quem aprendeu a reconhecer o ponto da massa pelo toque e a quantidade de recheio pela experiência.