DE UMA ESPINGARDA E UM PORCO, UMA GAITA MELHOR
O pai de Rozalino gostava de gaita, mas dinheiro era pouco. A solução veio na base da troca: uma espingarda e um porco por um instrumento de fole maior, mais encorpado. Foi com essa gaita que o repertório começou a crescer de verdade. A trajetória musical ganhou corpo quando Rozalino se mudou para a cidade para estudar. Começou tocando em corais de igreja, depois em festas, até formar o primeiro grupo, Os Recentes, no bairro Santana. Na sequência veio Os Galantes, banda que ele próprio fundou e que resistiu por dez anos, com CD gravado e músicas que fizeram sucesso na região.O GAÚCHO QUE APRENDEU NO CTG
Entre 1991 e 2000, Rozalino viveu intensamente o universo dos Centros de Tradições Gaúchas. Foram anos tocando em rodeios, animando danças de competição do folclore gaúcho e acompanhando invernadas pela região. "Foi onde eu aprendi bastante gauchão mesmo, onde eu sedimentei a minha carreira na parte de gaúcho", afirma. A vivência no CTG deu a Rozalino uma base técnica sólida, mas não o prendeu a um único gênero. Hoje ele integra o grupo Trio Modão, com quem circula pela região, e também se apresenta como gaiteiro solo.UM GAITEIRO QUE NÃO TEM SÓ UM SOTAQUE
Se o CTG deu a Rozalino as raízes, foi a estrada que deu a ele o repertório. Ele define a si mesmo como um gaiteiro eclético, capaz de tocar vanerão, forró nordestino, sertanejo, música gauchesca e até ritmos internacionais. "Eu sempre digo que o músico brasileiro é o melhor músico do mundo, porque tem que tocar para todas as etnias", diz. Para Rozalino, essa versatilidade é reflexo direto da formação cultural do país. Poloneses, italianos, imigrantes de diferentes origens, além das diferenças regionais entre norte, sul e sudeste, compõem um público que pede de tudo. E um gaiteiro, de acordo com ele, precisa estar pronto para atender.A MÚSICA QUE UNE
Além da trajetória musical, Rozalino construiu uma atuação relevante na área social. Formado em Ciências Ambientais pela Faculdade Guarapuava, foi fundador e presidente por dois mandatos da Associação dos Deficientes Físicos de Guarapuava (ADFG) e coordenou o paradesporto ligado ao basquete sobre cadeira de rodas. Passou também pela Prefeitura de Guarapuava, onde atuou como auxiliar de escritório e depois como diretor da coleta e reciclagem de resíduos sólidos na Surg. Foi chefe da equipe de digitação no Banco do Brasil e funcionário da Mitra Diocesana de Guarapuava. Na TV Humaitá, criou e apresentou o programa Encontro Cultural. Atualmente aposentado por tempo de contribuição e beneficiado pela Lei dos PCD, Rozalino mantém a RadioCar Som de Rua, microempresa de sonorização de eventos, campanhas, romarias, manifestações e rodeios. Mas é ao instrumento que ele sempre volta. "Um sanfoneiro, quando pega uma gaita em qualquer lugar, sempre tem público", diz.Rozalino Ramos é convidado do quinto episódio de Guarapuava em Frequência — Raízes Sonoras da Terra. O projeto, financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, tem estreia prevista para julho, com exibição nas redes do Portal RSN e no perfil do projeto no Instagram. Leia outras notícias no Portal RSN.
