Com a pandemia de covid-19, os consumidores mudaram muitos hábitos. Na hora de comprar, os artigos novos estão perdendo espaço para os usados. As informações estão de acordo com um levantamento do Sebrae. No Paraná, a abertura de empresas nesse segmento no primeiro semestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano anterior, cresceu 42%.
Os líderes neste crescimento são os Microempreendedores Individuais (MEIs) e as empresas de pequeno porte. Desse modo, as empresas entenderam que os consumidores estão há procura de outras opções diante da alta dos preços do mercado. Conforme o levantamento, o aumento registrado no comércio varejista abrange os setores de roupas, moedas e selos de coleção, livros e revistas.
Além disso, outros artigos usados, como móveis, utensílios domésticos, eletrodomésticos e calçados e material de demolição. De acordo com a gestora do comércio Varejista Regional Centro, Elizete Huchak, a venda de artigos usados é uma tendência mundial.
Pesquisas feitas em outros países comprovam que o mercado de usados ainda tem espaço para triplicar até 2025. Sendo assim, dois fatores são os que mais influenciaram nesse crescimento: a pandemia de covid-19, que aumentou o controle financeiro das famílias e a preocupação cada vez maior com a preservação do meio ambiente.
Quem pensou nisso foi a Jessica Müller Valentim, proprietária do brechó Müller’s Desapegos em Guarapuava. A empresária buscou inovar com a venda de roupas usadas com aproximadamente 80% abaixo do preço de uma peça nova. A ideia é comercializar produtos de qualidade por preços acessíveis, com o foco também na sustentabilidade.
Percebemos um aumento de 40% na procura [de peças usadas] durante a pandemia. Acredito que o aumento veio porque as pessoas estão procurando comprar peças de boa qualidade, mais baratas, de forma consciente e sustentável.
IDEIA ANTIGA MAS COM LUCRO ATUAL
Outro ramo já consolidado, mas que agora desponta é a negociação de carros usados e seminovos. Conforme as informações da Revista Exame, o segmento teve um boom com modelos valorizados com mais de 20% em um ano. Rhoggers Renã dos Santos, gerente de uma loja de carros, viu de perto a procura aumentar cerca de 50%.
A falta de [carros] 0km está influenciando o cliente que tem pressa em procurar um seminovo. As peças estão faltando nas montadoras e o prazo de entrega é longo. E no meio disso, o que alterar de preço na fábrica o cliente tem que pagar, senão o pedido passa para o próximo da fila.
Para Rhoggers, os motoristas têm optado por modelos que atendam a demanda do momento. “Nossa maior procura hoje é dos carros que são usados para aplicativos. Já os carros que não param em estoque são os SUV. Por isso, imaginamos que a tendência é que continue subindo os valores até janeiro de 2022”.
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