22/08/2023
Mário Luchetta

O Leviatã dos Supersalários: Quando o Estado Devora a República

Thomas Hobbes descreveu o Leviatã como um monstro bíblico que concentra todo o poder para garantir ordem. No BR, esse monstro ganhou outra face

Luís Mário Luchetta (Foto: divulgação)

Thomas Hobbes descreveu o Leviatã como um monstro bíblico que concentra todo o poder para garantir ordem. No Brasil, esse monstro ganhou outra face: o supersalário. Juízes, promotores, conselheiros de tribunais de contas e servidores de elite recebem vencimentos que ultrapassam R$ 100 mil, R$ 200 mil mensais quando somados penduricalhos, auxílios-moradia pagos mesmo a proprietários de imóveis, jetons e licenças-prêmio acumuladas. O teto constitucional de R$ 41.650 virou piada de mau gosto, furado por decisões do próprio Judiciário que se autoabsolve. O Leviatã não protege mais o cidadão; alimenta-se dele.

Enquanto isso, na Argentina de Javier Milei, o presidente cortou 70% dos cargos políticos, extinguiu 200 mil empregos públicos improdutivos e zerou auxílios de toda espécie no primeiro ano. Resultado? Inflação despencando de 211% para menos de 50% ao ano, contas públicas no azul e salários reais começando a se recuperar.

Nos países desenvolvidos – Alemanha, Canadá, Suécia – o teto salarial do funcionalismo é próximo ou inferior ao do setor privado de alto nível. Um juiz alemão ganha bem, mas não 15 vezes o salário médio nacional. Lá, o Estado é servidor, não senhor.

Aqui, o monstro engole 13% do PIB em folha de pagamento, mais que muitos países da OCDE gastam com toda a máquina pública. Cada supersalário é um imposto invisível que recai sobre o contribuinte que ganha R$ 1.412 de mínimo e paga 34% de carga tributária. É o Leviatã hobbesiano transformado em parasita: quanto mais engorda, mais esmaga a República.

Superar isso não exige revolução, mas coragem republicana. A PEC 63/2023, que acaba com os penduricalhos e reforça o teto, dorme no Congresso. O PL 6.726/2016, que regulamenta o abate-teto, também. Precisamos acordar esses projetos e aprová-los com urgência. A República tem que ser maior que o monstro: limite real de 1 salário do STF, fim dos auxílios imorais, transparência total nos contracheques e punição exemplar a quem burlar. Na Argentina, Milei mostrou que é possível domar o Leviatã em meses, não décadas.

O Brasil não precisa de mais Estado; precisa de mais República. República de verdade, onde o servidor serve e o cidadão manda. Chega de alimentar o monstro com o suor do povo. Hora de cortar as garras do Leviatã e devolver o país aos brasileiros. A nação agradece.

Cristina Esteche

Jornalista

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