22/08/2023
Blog da Cris Paraná

Lula Lidera, mas Ratinho Junior surge como o “Reserva de Luxo”

Pesquisa mostra petista na frente e Ratinho Jr com a menor rejeição entre os nomes, consolidando-se como alternativa técnica para furar a polarização

Lula e Ratinho Jr (Foto: Montagem/Portal RSN)

A primeira pesquisa Meio/Ideia de 2026, divulgada nesta terça (13), consolida um diagnóstico claro para a sucessão presidencial. Enquanto o presidente Lula mantém a liderança em todos os cenários de 1º turno, a oposição começa a filtrar quem possui fôlego real para o embate direto.

Não preciso nem ter um olhar mais aprofundado para saber que a pesquisa reforça a polarização “Lula vs. Bolsonarismo”, mas introduz nuances importantes sobre a competitividade da direita. Os números continuam mostrando que o petista lidera o primeiro turno em todas as simulações, variando em torno de 40%. Entretanto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, consolidou-se como o nome mais forte da oposição. No segundo turno, ele aparece em empate técnico com Lula. São 42,1% contra 44,4% do atual presidente. Já os ‘herdeiros do bolsonarismo’, Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, mantêm bases fiéis, entre 26% e 30% no 1º turno. Mas apresentam maior rejeição e menor competitividade no 2º turno do que os governadores de centro-direita.

Agora, num olhar voltado para a nossa casa, o Paraná, o cenário para o governador Ratinho Júnior se mostra um tanto quanto favorável. Embora Tarcísio de Freitas roube os holofotes, a pesquisa traz dados valiosos para o governador. O paranaense aparece como uma “segunda via” dentro da direita, com características distintas. No primeiro turno, Ratinho Junior pontua entre 6% e 7% nos cenários em que é testado ao lado de um membro da família Bolsonaro, como Flávio ou Michelle. Já, num possível segundo turno, quando testado diretamente contra Lula, Ratinho Junior alcança 37% das intenções de voto, contra 46% do petista.

Mas um dos pontos positivos para o paranaense é a rejeição relativamente baixa. Fica na casa dos 12,5%, muito inferior à de Lula que soma 40,8%, enquanto Flávio tem 30% e Michelle, com 26,1%. O que podemos ver é que a posição de Ratinho Junior na pesquisa indica um político com potencial de crescimento, mas que ainda sofre com o desconhecimento nacional. Afinal, ele ainda é visto como um “nome regional” frente a Tarcísio ou aos ‘Bolsonaro’.

POSTO IPIRANGA DO PSD

Ratinho Junior, no entanto, sai desta pesquisa como o vencedor moral da “terceira via de direita”. Ele atropelou Zema e Caiado na preferência popular e provou que, embora ainda não tenha o recall nacional da família Bolsonaro, possui o perfil menos vulnerável a ataques. Ele está no PSD de Gilberto Kassab, o partido mais capilarizado do Brasil. Se o PSD decidir por uma candidatura própria para marcar território, Ratinho é o nome natural.

Os dados mostram que nomes como Flávio e Michelle batem em um teto rápido. Ratinho Junior, com perfil de gestor e comunicação moderada, atrai o eleitor “órfão” que busca eficiência sem o ruído ideológico. Além do mais, o cenário Meio/Ideia sugere que, se Tarcísio optar por disputar a reeleição em SP, Ratinho Junior herda automaticamente a posição de “favorito da gestão” da direita.

Assim sendo, ele se posiciona como o Plano C da direita, atrás de Tarcísio e Michelle. A vantagem competitiva dele, porém, reside no fato de ser menos divisivo que os nomes diretamente ligados ao ex-presidente. Situação que o torna um candidato natural para uma coalizão de centro-direita, caso os nomes mais ideológicos sofram desgaste jurídico ou político.

TEMPO É O MAIOR DESAFIO

No entanto, o desafio é o tempo. Com apenas 7% no primeiro turno, Ratinho Júnior corre o risco de ser engolido pela polarização antes mesmo de chegar a agosto de 2026. A sobrevivência dele depende de transformar a baixa rejeição em conhecimento de marca nos próximos seis meses. Ou seja: o levantamento deixa claro que, para o eleitor médio, a eleição ainda é um confronto de legados. O grande trunfo do governador será converter o sucesso regional em um discurso nacional de “prosperidade sem ruído”.

Na propaganda partidária, o PSD deve explorar os indicadores sociais e econômicos do Paraná para vendê-lo como o gestor capaz de pacificar o país e entregar resultados, atraindo o eleitor de centro que está exausto da polarização entre Lula e Bolsonaro. Se conseguir transpor a marca de “Estado que funciona” para o imaginário do eleitor do Sudeste e Nordeste, Ratinho Junior tem o caminho aberto para converter o teto de crescimento em votos reais, posicionando-se como a alternativa natural, caso o eleitorado busque uma renovação que não passe pelo radicalismo.

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Cristina Esteche

Jornalista

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