22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava

Condenação de Kenny Rogers põe Câmara à prova

A Justiça fez o que lhe cabe: condenou o vereador a 7,5 anos de prisão. Mas ainda falta uma resposta. E essa não virá dos tribunais. Virá da política

Kenny Rogers (Foto: Reprodução/Instagram)

A Justiça deu uma resposta. A condenação do vereador Kenny Rogers (MDB) a sete anos e cinco meses de prisão em regime semiaberto por homicídio culposo no trânsito representa um marco importante. Não apenas para o caso em si, mas para a discussão mais ampla sobre responsabilidade pública. A sentença, embora técnica, foi considerada justa inclusive pela acusação, que elogiou a condução do processo. Mas há um outro julgamento em curso. E ele não cabe ao Judiciário.

A verdadeira decisão, agora, é política.

O atropelamento com morte em cima de uma calçada, seguido de omissão de socorro fere valores que vão além do Código de Trânsito. Fere o que se espera de qualquer agente público no exercício de um mandato. A sociedade de Guarapuava reagiu com indignação, e essa reação é legítima. Quando um vereador se vê condenado por matar um cidadão em circunstâncias tão graves, o mandato que ele carrega perde sentido diante do compromisso que jurou cumprir. Mas o caso se agrava ainda mais quando se considera o histórico do parlamentar. Kenny Rogers é reincidente. Já tem condenação em outra ação penal, por disparo de arma de fogo e lesão corporal, em um episódio anterior. A soma de condenações pode levá-lo, inclusive, ao cumprimento da pena em regime fechado.

Neste cenário, cabe ao presidente da Câmara Municipal, Pedro Moraes, do mesmo partido de Kenny Rogers, agir com firmeza e responsabilidade institucional. A omissão, nesse caso, será interpretada como conivência. Moraes, portanto, deve encaminhar o caso imediatamente ao Conselho de Ética da Câmara. É essa a instância que avaliará a conduta do parlamentar à luz do decoro, dos princípios éticos e da legitimidade do exercício do cargo.

DECISÃO É DO PLENÁRIO

E mais: a decisão final será do plenário, que é soberano. Ou seja, todos os vereadores de Guarapuava serão chamados a se posicionar. E cada voto terá acompanhamento de perto pela população. É o tipo de momento que define o que a política quer ser: um espaço de representação responsável ou um ambiente de blindagem corporativa.

A Justiça fez sua parte. Agora, é a hora da política mostrar que também é capaz de agir com dignidade.

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Cristina Esteche

Jornalista

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