22/08/2023
Cotidiano Em Alta Guarapuava

Campanha da Fraternidade lança luz sobre o déficit habitacional

Secretário municipal de Habitação, Gustavo Pedrosa, diz que Guarapuava possui uma fila de espera com 4.700 cadastros em programas habitacionais (Faixa 1)

Guarapuava possui hoje uma fila de espera que ultrapassa 4.700 famílias cadastradas em programas habitacionais (Foto: Arquivo RSN)

Com o início da Quaresma nesta Quarta-feira de Cinzas, a Igreja Católica no Brasil dá o pontapé inicial à Campanha da Fraternidade 2026. Em Guarapuava, o lançamento oficial conduzido pelo bispo diocesano, Dom Amilton Manoel da Silva, traz um tom de urgência social. Conforme lembra o Bispo, a moradia digna não é apenas uma questão de infraestrutura, mas um direito humano fundamental e uma expressão concreta da fé cristã.

Em entrevista ao Portal RSN, Dom Amilton destaca que o tema deste ano toca em uma ferida aberta da nossa região. “A moradia é a porta de entrada para todos os outros direitos. Sem um teto seguro, a família fica vulnerável na saúde, na educação e na sua própria dignidade. Quando dizemos que Cristo ‘veio morar entre nós’, estamos sendo convocados a olhar para aqueles que ainda não têm onde repousar a cabeça com segurança.”

Conforme o religioso, a Caritas Socialis mantém escritório em Rio Bonito do Iguaçu, cidade devastada pelo ornado de novembro de 2025. Cita também o Assentamento Nova Geração, em Guarapuava, atingido pelo tornado. “Estamos construindo casas dignas em Rio Bonito do Iguaçu.”

O gargalo da habitação em Guarapuava

A reflexão proposta pela Igreja encontra eco em dados alarmantes do município. De acordo com o secretário municipal de Habitação, Gustavo Pedrosa, Guarapuava possui hoje uma fila de espera que ultrapassa 4.700 famílias cadastradas em programas habitacionais (Faixa 1).

Embora o município tenha avançado com a entrega recente de 99 unidades em loteamentos como o Alto Cascavel (Programa Vida Digna), o secretário aponta um obstáculo crítico: a escassez de áreas públicas para novos empreendimentos.

Nosso maior desafio hoje não é apenas o recurso financeiro, mas a falta de terrenos adequados e urbanizados. Temos uma demanda que cresce diariamente, e as áreas disponíveis dentro do perímetro urbano são limitadas.

CRESCIMENTO DE FAVELAS

Há pouco mais de dois, em 2023, um estudo feito pela Cohapa catalogou  1.002 ‘casas’ em 13 áreas de favelas. Os dados são da ‘Pesquisa de Necessidades Habitacionais do Paraná (Pehis)’, que em 2019, mostrou que Guarapuava tinha oito áreas classificadas como favela e 588 domicílios nestas condições. Portanto, em pouco mais de dois anos surgiram outras quatro favelas e mais 514 habitações em ocupações irregulares.

O SONHO DE CONSUMO

No centro do debate sobre o planejamento urbano e a solução para o déficit habitacional, ressurge um antigo “sonho de consumo” das gestões municipais. É  o terreno ocupado pelo 26º Grupo de Artilharia de Campanha (26º GAC).

Localizada em uma região estratégica, a área é vista por especialistas e gestores como a chave para eliminar os vazios urbanos e expandir a habitação popular de forma integrada. De acordo com a Secretaria de Habitação, a utilização de parte dessa área poderia:

  • Atender de 2.500 a 3.000 famílias de forma direta.

  • Acabar com os “vazios” que encarecem a infraestrutura da cidade.

  • Melhorar significativamente a mobilidade urbana e a criação de espaços de lazer (parques).

Conforme Gustavo Pedrosa, conseguir essa área seria um marco histórico.

Seria a solução para grande parte do nosso problema habitacional, permitindo que as famílias morassem perto de serviços essenciais, sem precisar expandir a cidade para periferias distantes.

UM CONVITE À AÇÃO

A Campanha da Fraternidade 2026 convida a comunidade, o poder público e as entidades civis a transformarem a indignação em caridade social. Dom Amilton reforça que a Quaresma é o tempo ideal para converter o olhar para as mil famílias que aguardam por um lar.

“A CF não é apenas um estudo, é um gesto concreto. Que possamos, como sociedade, unir esforços para que o sonho da casa própria deixe de ser uma espera interminável e se torne a realidade da dignidade que Deus deseja para todos os seus filhos”.

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Cristina Esteche

Jornalista

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