22/08/2023
Cotidiano Em Alta

Há 50 anos no local, famílias da Vila Lange cobram regularização de imóveis

Associação de Moradores São João reúne comunidade nesta terça (3), às 19h, para cobrar prazos do programa 'Moradia Legal', em Guarapuava

Vila Lange (Foto: Associação de Moradores do Bairro São João)

O processo de regularização fundiária da Vila Lange, em Guarapuava, que deveria garantir segurança jurídica a 46 famílias, segue sem desfecho. O processo começou em 2023, no âmbito do programa ‘Moradia Legal’, uma parceria entre o Tribunal de Justiça do Paraná e municípios. A empresa Solium Regularização Fundiária, credenciada pelo TJ se responsabilizou pelo mapeamento, levantamento de dados e por reunir a documentação das famílias contempladas para efetivação da regularização fundiária. A Secretaria Municipal de Habitação fez o acompanhamento técnico e jurídico, conforme disse o ex-secretário Danilo Domínico ao Portal RSN.

No entanto, a demora e a falta de informações claras mobilizaram a Associação de Moradores São João, que engloba as famílias da Vila Lange. De acordo com o o vice-presidente da entidade, Rubens Fernando Rodrigues, uma reunião às 19h desta terça (3) reúne moradores na sede da Associação. A diretora da empresa Solium, contratada para etapas técnicas do procedimento, Lorena Schwartz participa da reunião.

Vila Lange (Foto: Associação de Moradores do Bairro São João)

“PROCESSO ESTÁ EM ANDAMENTO”

Ao contrário do que moradores pensam, Lorena disse ao Portal RSN, que o processo segue em andamento. “Não houve paralização. Inclusive tem publicações recentes . É só pedir para um advogado consultar o processo”. Realmente, há diligências atuais e uma delas acusa a dificuldade para localizar uma das herdeiras da família Lange. A presença dela é para obter a anuência necessária, o que estaria travando etapas do procedimento. Informações repassadas à RSN apontam que uma das herdeiras Edvino Lange mora no exterior.

A Vila Lange reúne famílias que moram no local há cerca de 50 anos, criada na década de 60. De acordo com a Associação de Moradores São João, muitos terrenos foram comprados quando a formalização era precária, com nota promissória e duplicata. Situação essa hoje dificulta a regularização e mantém moradores sem o registro definitivo dos imóveis. “O dono foi loteando e vendendo, sem registrar o loteamento”.

FAMÍLIAS PAGARAM R$ 3,2 MIL

De acordo com o vice-presidente da Associação, Rubens Fernando Rodrigues, no início a empresa contratada cobrou R$ 3,2 mil por família pelo levantamento topográfico. “A maioria pagou à vista e outras parcelaram em até 24 vezes”. Ele relata que, depois disso, houve afastamento entre empresa e moradores e dificuldade de obter informações. “Muitas pessoas foram na Secretaria de Habitação e disseram que era pra entrar em contato com o Tribunal de Justiça”.

O atual secretário de Habitação afirma que a Prefeitura, na época, atuou como parceira logística do TJPR. A Secretaria intermediou a contratação da empresa, e “uma vez feitas as inscrições e outros trâmites, nada mais cabe à Secretaria de Habitação dentro do Moradia Legal”. A gestão atual afirma que passou a priorizar a Reurb (Regularização Fundiária Urbana), como alternativa para acelerar os procedimentos de titulação no município.

Entretanto, confirma em nota que a regularização na Vila Lange encontra-se protocolada e segue em tramitação regular. Conforme a pasta, apesar de o TJPR ter suspendido novas adesões, os processos já iniciados continuam em andamento e estão sob competência direta do Poder Judiciário.

A Secretaria diz ainda que a execução ocorre por convênio técnico entre o TJPR e a empresa habilitada. E que documentação e pagamentos foram tratados diretamente entre moradores e empresa. Portanto, sem gestão financeira ou interferência da Habitação. Por fim, Gustavo informa que não foi comunicado oficialmente sobre a reunião marcada para hoje.

PROGRAMA ESTÁ SUSPENSO

Conforme o TJ, atualmente o programa Moradia Legal encontra-se suspenso, após inspeção e apontamentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Além disso, desde dezembro de 2025, a Polícia Civil apura suspeitas de irregularidades, incluindo possível lavagem de dinheiro, envolvendo duas empresas até então credenciadas pelo TJ.

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Cristina Esteche

Jornalista

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