22/08/2023
Mário Luchetta

O abismo do endividamento e a urgência da sanidade fiscal

É imperativo que a discussão sobre as contas públicas abandone as paixões ideológicas e os personalismos políticos para se ancorar exclusivamente na racionalidade técnica

Mario Luchetta (Foto: divulgação)

A saúde financeira de uma nação é o alicerce sobre o qual se constrói a liberdade e a prosperidade de seu povo. No Brasil de 2026, entretanto, observamos com gravidade o avanço de um endividamento público que ameaça sequestrar o futuro das próximas gerações. O cenário econômico atual, marcado por uma política fiscal expansionista e pela insistência no aumento de gastos, conduz o país a um ciclo vicioso de juros elevados e instabilidade. É imperativo que a discussão sobre as contas públicas abandone as paixões ideológicas e os personalismos políticos para se ancorar exclusivamente na racionalidade técnica.

Nas nações capitalistas desenvolvidas, o endividamento é tratado como uma ferramenta estratégica de investimento e fomento à produtividade. Países como a Alemanha ou os Estados Unidos, em seus períodos de maior solidez, demonstram que a dívida só é sustentável quando acompanhada por um Estado eficiente e por uma economia que cresce acima do custo do capital. No Brasil, o caminho escolhido é o oposto: o endividamento serve para alimentar a máquina burocrática e o consumo imediato do Estado, gerando um “Risco Brasil” que afasta investimentos e encarece o crédito para quem realmente produz.

O atual governo persiste em uma lógica fiscal que ignora os limites da arrecadação. Como bem destaca a análise técnica recente sobre o endividamento e a política fiscal, a tentativa de impulsionar a economia apenas via gasto público resulta em inflação e na necessidade de manter a taxa de juros em patamares restritivos. Esta é a armadilha do “Leviatã” estatal: quanto mais o governo gasta, mais ele sufoca a iniciativa privada, que é a única fonte real de geração de riqueza e empregos.

Neste tabuleiro, o papel do Congresso Nacional é vital, porém deficitário. Observamos uma carência profunda de nomes técnicos e de lideranças preparadas para discussões elevadas sobre macroeconomia e responsabilidade fiscal. Grande parte do Parlamento permanece refém do populismo e de pautas eleitoreiras, evitando o enfrentamento necessário do déficit público. A discussão técnica é frequentemente substituída pela retórica fácil, enquanto o país perde a oportunidade de realizar as reformas estruturais que garantiriam a segurança jurídica e a estabilidade de longo prazo.

É neste vácuo de liderança técnica que as instituições da sociedade civil organizada devem assumir o seu protagonismo. É tempo de as entidades de classe, as ordens profissionais e os movimentos cidadãos abandonarem a dormência e adotarem uma postura de ação efetiva. O silêncio diante da degradação das contas públicas é uma forma de conivência com o empobrecimento do país. As instituições precisam ter posição clara e cobrar do Executivo e do Legislativo a austeridade necessária para evitar o colapso financeiro.

A frase da estadista Margaret Thatcher resume com precisão a nossa encruzilhada: “O problema com o socialismo é que um dia o dinheiro dos outros acaba”. No Brasil, o “dinheiro dos outros” é o suor do contribuinte e o capital de quem empreende, recursos que estão sendo exauridos por uma gestão que prioriza o gigantismo estatal em detrimento da eficiência.

A transformação que o Brasil exige passa pela retomada da sanidade fiscal. Precisamos de um Estado enxuto, de uma carga tributária reduzida e de uma gestão que respeite o equilíbrio atuarial. A esperança para 2026 reside na mobilização consciente da sociedade e na escolha de representantes que possuam o preparo técnico para colocar o Brasil nos trilhos da responsabilidade. A prosperidade é fruto da ordem e do trabalho, e a ordem começa pelo respeito absoluto ao orçamento público. É hora de agir com coragem moral para defender a nossa liberdade econômica e garantir um país justo para todos.

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Cristina Esteche

Jornalista

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