A disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entrou na fase em que cada curtida, compartilhamento e vídeo pode integrar uma estratégia eleitoral. As redes sociais já não são apenas vitrines de campanha. Tornaram-se estruturas de mobilização, capazes de colocar determinados assuntos no centro do debate em questão de minutos. Na política dos algoritmos, muitas vezes a velocidade da mensagem supera a profundidade da discussão.
No campo lulista, André Janones assumiu protagonismo com o chamado Exército do Lula, que, segundo informações divulgadas pela campanha, já ultrapassa sete milhões de inscritos. A estratégia aposta na mobilização de apoiadores e na circulação coordenada de conteúdos. O número impressiona, mas exige cautela: seguidores não são necessariamente eleitores, e alcance digital não significa conversão automática em votos.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro reforçou a presença virtual com apoio de Pablo Marçal, que reuniu centenas de influenciadores para discutir estratégias de comunicação. A campanha também ampliou investimentos em publicidade digital, numa tentativa de diversificar mensagens e alcançar novos públicos. A lógica é semelhante à do adversário: ocupar espaços, multiplicar narrativas e disputar a atenção de quem ainda não definiu o voto.
O fenômeno revela uma mudança na maneira de fazer política. O antigo cabo eleitoral ganhou celular, audiência e capacidade de viralização. Mas há uma diferença fundamental entre informar e simplesmente provocar reações. Quando a emoção se torna o principal combustível da comunicação, o risco é transformar o debate eleitoral numa sucessão de ataques, slogans e verdades pela metade. Isso vale para qualquer campo político.
Janones e Marçal representam estilos diferentes de uma mesma realidade: a profissionalização da disputa pela atenção. Ambos exploram a linguagem das plataformas, nas quais vídeos curtos, frases de impacto e conteúdos facilmente compartilháveis podem alcançar milhões de pessoas. O desafio democrático está em exigir transparência, combater a desinformação e preservar a liberdade de expressão sem confundir mobilização legítima com manipulação.
No fim, Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência, mas os exércitos digitais travam uma batalha ainda mais profunda: a de controlar a narrativa e conquistar a atenção dos brasileiros. O problema começa quando a força de uma mensagem passa a valer mais do que a verdade que ela carrega.
Entre algoritmos, influenciadores e milhões de compartilhamentos, a política corre o risco de trocar o debate pela espetacularização. E fica a pergunta mais incômoda deste segundo turno: quem está formando a opinião do eleitor: os fatos ou quem consegue gritar mais alto nas redes?