Ações contestam resultado das eleições em Salto do Lontra

Por Thea Tavares – O prefeito eleito de Salto do Lontra, Maurício Baú, juntamente com o com seu vice, Fernando Cadore, ambos do PPS, responde a processos desde as eleições de outubro e, agora mais recentemente, a outras duas ações judiciais, que reivindicam a perda do mandato que iniciará no ano que vem e para o qual já foram diplomados no último dia 7 de dezembro. Denúncias formalizadas pelos candidatos que concorreram com os dois acusados junto à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal, por meio de depoimentos de testemunhas, envolvidos e farta documentação, atestam a compra de votos nas eleições municipais em Salto do Lontra.

O julgamento das ações pode ainda mudar o resultado das eleições municipais. Caso a Justiça acate os pedidos e puna com o rigor da lei os crimes eleitorais, quem assumirá a prefeitura será Maximino Beal (PT), que alcançou a segunda colocação com 32,45% dos votos válidos. A disputa foi muito apertada no município e o resultado das urnas comprova isso: o candidato do PPS chegou em primeiro com 38,47% e o terceiro colocado, o tucano Vandeco, fez 29,08% do total de votos válidos. O petista e seu candidato a vice-prefeito na “Coligação Novo Salto”, Hermes Dario (PSL), movem atualmente duas ações de investigação dos crimes cometidos pela dupla formada por Baú e Cadore.

ATÉ POSTES DE LUZ FORAM USADOS PARA COMPRAR VOTOS

Há comprovação da compra de votos em Salto do Lontra por meio de declarações prestadas em Cartório, perante a Polícia Federal e também na delegacia da Polícia Civil, de pessoas que receberam as propostas diretamente dos candidatos Baú e Cadore, de candidatos da coligação desses; de eleitores que receberam dinheiro e vantagens para vender o seu próprio voto ou ainda para comprar o voto de terceiros. Oferta direta de dinheiro, vale-combustível, sacas de grãos e sementes, vale-mercado, insumos agropecuários e até pagamento dos custos de instalação de pontos de luz em comunidade do interior foram usados para convencer os eleitores a votarem no candidato da Coligação que saiu vencedora.

O presidente da Associação dos Produtores Rurais Horácio de Salto do Lontra, José Nilson Locks, morador da Linha Horácio, denuncia que um padrão de luz foi instalado na sua comunidade rural pela empresa pertencente à Marlene Luíza Baú e a Leandro Baú, respectivamente mãe e irmão do prefeito eleito, no dia 24 de setembro de 2012 e que parte dos custos dessa obra – registrado em contrato com a Copel no valor de R$ 5.839,02 – foi paga com doação do então candidato Maurício Baú. Outros denunciantes dão conta de terem sido abordadas na rua por Baú e Cadore, quando esses ainda eram candidatos ao cargo, e de terem recebido deles R$ 100,00 (cem reais) em troca do voto e mais a promessa de que, passadas as eleições, receberiam saca de milho ou de aveia como complementação do pagamento. Diversas acusações apontadas nas duas ações judiciais movidas pelos candidatos Maximino e Hermes, foram denunciadas em sessão da Câmara Municipal de Salto do Lontra no dia 20 de novembro de 2012.

As duas ações movidas pelos advogados do PT e PSL estão em fase inicial de defesa. “Queremos restaurar a legitimidade das eleições no nosso município. A população merece esse respeito e o direito democrático de eleger seus representantes de forma consciente e limpa”, disse o candidato do PT, Maximino Beal.

Jornalista:  Fotos do momento em que os candidatos Maximino Beal e Hermes Dario protocolaram, no dia 6 de dezembro de 2012, ação. Também aparece na foto (de gravata) o advogado Dr. Eliel de Almeida.

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