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Agrotóxico pode reduzir fertilidade de quem trabalha no campo

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
2 min de leitura

Agrotóxicos podem ocasionar problemas de infertilidade. Um novo estudo realizado no Brasil mostra que existe uma possível relação entre o uso de agrotóxico por agricultores e alterações no sistema reprodutivo. Ao analisar amostras de sêmen de 370 jovens entre 18 e 23 anos, observou-se que os moradores de áreas rurais, e, portanto com maior exposição aos agrotóxicos, tinham declínio da qualidade seminal em comparação com os que viviam na área urbana.

De acordo com o autor do estudo, Cleber Cremonese, algumas estruturas químicas do agrotóxico são semelhantes as dos hormônios. A semelhança faz com que aos receptores das células (que se ligam a estas substâncias) se confundam e passem a produzir mais ou até mesmo parem a produção de hormônios.

A observação das amostras identificou grandes diferenças. A estrutura do sêmen foi reduzida entre 15% e 32% nos moradores rurais e com maiores contatos com agrotóxicos. Outro parâmetro analisado foi a motilidade do sêmen, significativamente menor nos jovens rurais do que nos urbanos. Quanto menor for a qualidade do sêmen, maior será a dificuldade de procriar. Os resultados mostram que há maior risco de infertilidade entre os trabalhadores rurais em comparação com os moradores de áreas urbanas.

“Existe uma possível relação entre a queda da qualidade do sêmen dos guris e o agrotóxico. É importante destacar que isto é multifatorial, pode ter relação também com bebida, comida, assim como o agrotóxico pode ser um fator. Porém, é um fator bem pesado. A gente viu que é bem determinante”, afirmou Cleber Cremonese, autor do estudo realizado durante o doutorado em Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.

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