22/08/2023
Blog da Cris Política

Até onde vai a paciência da base?

O silêncio de Ratinho Junior sobre 2026 começa a transformar a base aliada em um tabuleiro de incertezas e ultimatos

Ratinho Junior, governador do Paraná (Foto: redes sociais)

O almoço desta terça (7) no Chapéu Pensador, em Curitiba, não é sobre o cardápio, nem sobre os projetos de lei que já passaram. É sobre o vazio de poder que o governador Ratinho Junior está criando ao adiar o inevitável. Enquanto o governador faz um “afago” nos 31 deputados que restaram, o clima nos bastidores não é de gratidão, mas de urgência.

A análise que poucos estão fazendo é que Ratinho Junior está jogando um jogo perigoso de “equilíbrio por inércia”. Ao não bater o martelo, ele acredita que mantém todos sob controle. No entanto, o efeito prático é o oposto: ele está terceirizando a ansiedade para a base. Por que a situação é mais crítica do que parece? O “fantasma” de Moro não é apenas uma ameaça eleitoral, é uma ferramenta de barganha.

Quando um aliado de Ratinho sugere que o governador poderia apoiar o ex-juiz em caso de racha, ele não está apenas testando a lealdade dos deputados. Mas está admitindo que o Palácio Iguaçu não tem um plano B sólido. A resposta agressiva dos parlamentares: “então que ele declare o apoio logo”, mostra que o estoque de paciência acabou.

O risco da Federação “freelancer” se encontra na encruzilhada. Partidos como MDB, Republicanos e a Federação União Progressista não são conhecidos por esperar o último a sair para apagar a luz. Se Ratinho não der o sinal, esses partidos vão buscar sobrevivência própria. O silêncio do governador está transformando aliados históricos em “agentes livres” no mercado eleitoral de outubro.

E há outro fator. A preferência quase unânime pela chapa Curi/Greca não é apenas afinidade; é busca por segurança. Os deputados querem nomes que tenham “cheiro de povo” e estrutura de máquina. Ao manter Guto Silva no páreo sem uma definição clara, Ratinho gera um curto-circuito interno. Ou seja: ele obriga os deputados a escolherem lados antes da hora, o que esfarela a união da base.

VEREDITO

Portanto, o veredito é que o almoço de hoje pode até ter sorrisos para as fotos, mas o digestivo será amargo. Ratinho Junior já entregou o que precisava no Legislativo, mas a política não vive de passado. Se o governador sair do ‘Chapéu Pensador’ sem, no mínimo, estabelecer um cronograma real para essa sucessão, ele corre o risco de ver a base de 31 deputados encolher ainda mais. E não por traição, mas por absoluta falta de norte.

Em política, o vácuo não existe. Se Ratinho não preencher o espaço da liderança agora, o “mercado” de Sergio Moro ou a independência das federações o farão.

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Cristina Esteche

Jornalista

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