22/08/2023
Blog da Cris

Com chegada de Gleisi, nova dinâmica empurra Curi para o Senado

Com a entrada da ministra, o cálculo da direita terá que ser cirúrgico. E se o 'pulo do gato' de Curi for o Senado, o caminho fica pavimentado para Guto Silva

(Foto: Brainn Belo/RSN)

A leitura fria dos números da Paraná Pesquisas, divulgados neste 23 de janeiro de 2026, revela um tabuleiro político em plena ebulição,  bem distante da calmaria que alguns palacianos tentam simular. Se para o Palácio Iguaçu o roteiro parece escrito a lápis, para o Senado a caneta de Lula pode virar a mesa.

A grande novidade deste início de ano não está nos nomes que aparecem no gráfico, mas naqueles que acabaram de entrar no jogo. A substituição de Enio Verri por Gleisi Hoffmann (PT) é o fato político que desidrata a relevância imediata desta amostragem específica. Como o levantamento foi a campo enquanto Verri ainda era o nome do Planalto, os 82,5% de indecisos na espontânea não são apenas apatia: são um vácuo de liderança à esquerda que Gleisi chega para preencher.
Enquanto Álvaro Dias (MDB) surfa no recall e garante uma das vagas com folga (beirando os 52%), a segunda cadeira vira um “campo de guerra” ideológico.

A ausência de Gleisi no questionário estimulado inflou artificialmente nomes como Cristina Graeml (PMB) e Filipe Barros (PL). Com a entrada da ministra, o cálculo da direita terá que ser cirúrgico: ou se unem em torno de uma candidatura viável, ou correm o risco real de ver a esquerda levar uma das vagas pela fragmentação do campo conservador. E nesse contexto, Alexandre Curi (PSD)  surge competitivo quando associado ao campo governista, em segundo lugar com 13,6%.

MORO SEGUE LIDERANDO

No cenário para o Governo, a liderança de Sérgio Moro (União), que oscila entre 40% e 47,5%, impõe um teto difícil de ser rompido pelos candidatos da máquina estadual. No entanto, o detalhe analítico que merece atenção é a movimentação interna do PSD.

Se o ‘pulo do gato’ de Alexandre Curi for o Senado, onde ele já demonstra musculatura para brigar pela segunda vaga, o caminho fica pavimentado para Guto Silva. Guto, hoje Secretário das Cidades, aparece como a solução técnica e política de Ratinho Júnior para manter o grupo no poder, herdando uma estrutura que nomes como Rafael Greca ainda tentam seduzir.

ESTABILIDADE OU INÉRCIA?

A liderança isolada de Moro no governo e de Álvaro no Senado mostra que o eleitor paranaense, neste momento, prefere o conhecido ao novo. Contudo, a entrada de Gleisi Hoffmann altera o eixo de gravidade. Ela não disputa apenas votos; ela obriga o governo estadual a definir seu ‘time’ rapidamente.
Volto a escrever que se o grupo de Ratinho Júnior não poderá se dar ao luxo de manter dois ou três nomes no aquecimento por muito tempo. Se Curi for para o Senado, Guto Silva é o nome confirmado para o Governo; qualquer variação disso poderá entregar o protagonismo para Moro ou permitir o avanço petista na Casa Alta.

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Cristina Esteche

Jornalista

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