22/08/2023
Cotidiano Em Alta Guarapuava

Comunidade do Jordão reage contra manutenção de Kenny no cargo

Entidades afirmam que decisão desconsidera a dor da comunidade e cobram justiça no caso da morte do 'seo' Jeca

Carro capotou (Foto: Samu)

O Movimento ‘Vale Verde Jordão’ e a ‘Associação de Moradores e Amigos Unidos do Vale do Jordão’ divulgaram, nesta terça (17), uma nota de repúdio contra a decisão do Conselho de Ética da Câmara de Guarapuava. O Conselho indeferiu o pedido de afastamento liminar do vereador ‘Kenny do Cartório’, mantendo o parlamentar no cargo enquanto o processo por quebra de decoro segue em tramitação.

Conforme o documento, as entidades manifestam “profundo repúdio e indignação” diante da decisão e afirmam que a medida representa uma ofensa não apenas à família da vítima. Mas também à comunidade do Vale do Jordão. A nota sustenta que o caso não pode ser tratado como “mera formalidade administrativa” e cobra uma resposta institucional compatível com a gravidade dos fatos.

A manifestação faz referência à morte de José Maceno de Almeida, conhecido como Jeca. “Idoso conhecido e querido na comunidade, vítima do atropelamento ocorrido em dezembro de 2024, no bairro Jordão”. O caso resultou na condenação em primeira instância do vereador. O processo também passou por análise política pela Câmara, após provocação do Ministério Público Eleitoral.

Na nota, o movimento afirma que o indeferimento do afastamento representa um gesto de insensibilidade diante da dor coletiva vivida pela comunidade. Em um dos trechos mais contundentes, as entidades declaram que “o Vale do Jordão está de luto, mas não está em silêncio”. O documento reforça que os moradores continuarão cobrando providências, respeito à memória da vítima e responsabilização no caso.

A DECISÃO

A decisão que motivou a reação foi tomada pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Guarapuava nessa segunda (16). De acordo com o entendimento do colegiado, não haveria previsão legal para afastamento imediato, uma vez que o vereador responde em liberdade. Mesmo assim, o processo não se encerrou. Conforme o Conselho, o parlamentar será citado para apresentar defesa. E o conselho deverá seguir com a instrução antes de eventual envio do caso ao plenário.

O caso ganhou maior repercussão após o Ministério Público Eleitoral pedir providências à Câmara. O pedido inclui a suspensão do exercício do mandato e a abertura de procedimento por quebra de decoro. Desde então, o episódio passou a mobilizar não apenas o meio político, mas também movimentos sociais, moradores e lideranças comunitárias de Guarapuava, especialmente da Região do Jordão.

Ao tornar pública a nota, o Movimento Vale Verde Jordão e a Amuvale reforçam que não aceitarão que a morte do ‘seo’ Jeca se reduza a um “detalhe burocrático”. Para os signatários, a ética pública deve se traduzir em responsabilidade concreta e respeito à vida, sobretudo quando os fatos envolvem um agente político em exercício.

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Cristina Esteche

Jornalista

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