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Por Marcio Fernandes

D´Alessandro, o prefeito e o cavalo de Guarapuava

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
3 min de leitura

Por - Marcio Fernandes * - Guarapuava bem que poderia ter seu D´Alessandro para gerir a coisa pública. Aos 28 minutos do segundo tempo do jogo Internacional 1 x 0 São Paulo (na quarta, 28/07), o meia argentino, em um momento lindo, colocou a bola por dentre as pernas de Rodrigo Souto, um volante tosco do time paulista. Driblado, Rodrigo Souto saiu do lance completamente perdido, olhando para todos os lados, tentando encontrar D´Alessandro e a bola, como quem pergunta aos companheiros de clube ´Fui tão perna de pau assim neste lance?´. Guarapuava não tem um D´Alessandro, jogador talentoso, criativo, decisivo. Guarapuava tem é um Rodrigo Souto.
Mas por falar em Argentina, ao caminhar pela capital portenha dia desses, deparei-me com uma estátua de desenho franciscano – de um soldado e seu cavalo, na avenida Presidente Figueroa Alcorta, em frente a um quartel da Polícia Montada. É não é que o tamanho do animal estava devidamente proporcional ao do militar? Por um instante, lembrei do também tosco monumento em homenagem a Diogo Pinto Azevedo Portugal, aquele em que Diogo é retratado como nanico e, o cavalo, como uma figura de proporções monstruosas. Achei engraçada a lembrança e continuei a caminhada.
Pois ia tranquilamente pela Presidente Alcorta quando, no cruzamento com a avenida Sarmiento, avistei outro monumento, de tamanho bem maior do que aquele da Polícia Montada. Era uma homenagem a José Justo Urquiza, presidente argentino no século 19. Tirei fotos, de vários ângulos. Mais tarde no hotel, olhando agora as imagens, notei que a composição ´homem-animal´ era graciosamente simétrica. E não é que lembrei de Guarapuava de novo, daquela obra pública mandada erguer pelo prefeito no cruzamento das avenidas Manoel Ribas e Sebastião de Camargo Ribas?
Momento seguinte à esta recordação, pensei que, em um destes instantes de crise na cidade em que o prefeito some, bem que ele poderia reaparecer em Buenos Aires, para conferir in loco estes dois locais, para aprender sobre proporcionalidade. Ao final do passeio, eventualmente cansado da caminhada, ele poderia prosseguir mais alguns metros pela Presidente Alcorta, em direção ao parque que abriga o Planetário Galileu Galilei. Lá, igualmente poderia verificar de pertinho como é ofertar à população um espaço de lazer aos domingos, lotadíssimo mas sem adolescentes fumando crack à luz do dia. Quem sabe o chefe do Executivo de Guarapuava pudesse retornar mais D´Alessandro e menos Rodrigo Souto.

* Morador de Guarapuava. E-mail: [email protected]

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