O cenário eleitoral do Paraná enfrenta um paradoxo: enquanto lidera as pesquisas de intenção de voto para o Senado, Deltan Dallagnol (Novo) teve os atos formais de rua, o espaço em rádio e TV e as verbas públicas suspensos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa travada judicial no primeiro colocado provocou uma reviravolta tática. Isso porque, transferiu a responsabilidade de manter vivo o nome do ex-procurador para os candidatos a deputado estadual e federal da chapa.
Essa inversão operacional deu origem a uma verdadeira "campanha por procuração". Se em pleitos tradicionais o candidato majoritário serve como locomotiva para puxar os proporcionais, a lógica agora se inverteu. Ou seja: os postulantes à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e à Câmara dos Deputados foram guindados à condição de embaixadores formais de uma candidatura impedida de se manifestar ostensivamente nos meios de comunicação.
A missão que recai sobre essa base de deputados consiste em transformar reuniões, carreatas e santinhos em caixas de ressonância do nome de Deltan. O motor dessa engrenagem é o próprio favoritismo do ex-procurador, que torna o empenho da base um trunfo estratégico para fidelizar o eleitorado antipetista e conservador no interior e na capital.
Contudo, essa atuação proporcional impõe sérios gargalos orçamentários e operacionais. Com o congelamento de verbas da chapa majoritária por ordem judicial, os candidatos a deputado precisam custear do próprio bolso o material casado. Além de caminharem sobre uma linha tênue para não verem os próprios atos enquadrados pela Justiça Eleitoral como forma der burlar as restrições do TSE.
Ao mesmo tempo, essa base atua na contenção de danos para neutralizar as investidas dos adversários que tentam disseminar a tese de "voto perdido". Cabe exclusivamente aos deputados estaduais e federais blindar esse eleitorado de migrações para candidaturas concorrentes.