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Desembargador reedita obras sobre Guarapuava

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
5 min de leitura

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Guarapuava - Por Criselli Montipó O desembargador aposentado, Jeorling Cordeiro Cleve, autor das obras Povoamento de Guarapuava: Cronologia Histórica e Luiz Daniel Cleve – Memória Histórica, reeditou as obras neste semestre, que já estão em circulação. Na semana passada, o desembargador doou exemplares para a Biblioteca Helena Kolody, das Faculdades Integradas do Brasil. As obras foram lançadas em 2007 e 2005 respectivamente, pela Juruá Editora, com o apoio cultural da UniBrasil, das Faculdades do Centro do Paraná (UCP) de Pitanga, e das Faculdades Campo Real (UniCampo), de Guarapuava. Jeorling Cordeiro Cleve é advogado desde 1957 e exerceu o cargo de Juiz do Tribunal da Alçada do Estado do Paraná e de desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, entre outros. Ele conta que, desde sua aposentadoria compulsória, em 2002, tem se dedicado à leitura, caminhadas, jardinagem e pesquisas históricas. “É preciso ocupar a mente e o tempo”, comenta sorridente. O desembargador publicou também Pensamentos de Todos os Tempos, Lições de Sabedoria, onde reúne, como o próprio nome diz, frases célebres de todos os tempos, minuciosamente anotados durante sua vida de apaixonado por literatura – paixão que herdou do pai Aloísio Guimarães Clève – e que ele teve o cuidado de reunir por temas, em sua publicação. Este livro já está no volume três. O autor explica que quando reeditou as obras aproveitou para acrescentar dados que obteve posteriormente à publicação. “As obras Povoamento de Guarapuava: e Luiz Daniel Cleve se completam. “Nasci e me criei em Guarapuava, onde há bons historiadores, mas achei necessário um encadeamento histórico”, ressalta. As obras também buscam reconhecer alguns valores éticos e morais, por vezes esquecidos. “Não podemos abdicar destes valores que podem ser multiplicados com a difusão cultural”, destaca. Povoamento de Guarapuava: Cronologia Histórica A obra é mais um resultado de suas pesquisas. Utilizando o formato cronológico, o desembargador conta a história do município, que é sua cidade natal. Na segunda edição, o autor adicionou a explicação sobre a origem do nome de Guarapuava, relacionado à presença do lobo guará. De acordo com a obra, a ocupação e o povoamento de Guarapuava (situada no oeste do Paraná), que havia sido confiado aos padres missionários da Companhia de Jesus, foi motivo de interesse da Coroa Portuguesa a partir do momento que os espanhóis ameaçavam invadir este território. Foi então que passaram a ser despachadas, de Curitiba, expedições para o povoamento do local. A obra destaca, sobretudo, a expedição que culminou com o povoamento de Guarapuava. “A expedição, sob o comando de Diogo Pinto Portugal, composta de 200 militares do regimento da cavalaria de Milícias de Curitiba, mais voluntários, trabalhadores diversos, dentre os quais alguns escravos, além de mulheres e crianças, num total de 300 pessoas, partiu de Curitiba no dia 3 de agosto de 1809, para uma longa e esperançosa jornada que duraria quase um ano”, ressalta o autor. A expedição chegou em 17 de junho de 1810. O desembargador Cordeiro Cleve relata todo o percurso, a fixação do novo povoado, as primeiras sesmarias cedidas, seus personagens e seu desenvolvimento. Guarapuava foi a Freguesia de Nossa Senhora de Belém até ser elevada à categoria de vila em 1852, quando foi desmembrada de Castro, município que foi desmembrado de Curitiba, em 1788. Guarapuava tornou-se cidade em 1871. Hoje é pólo universitário e de produção agropecuária e agroindustrial do Paraná. Atualmente, a cidade conta com mais de 164 mil habitantes. Luiz Daniel Cleve – Memória Histórica Jeorling Cordeiro Cleve publicou, em 2005, a obra Luiz Daniel Cleve – Memória Histórica, biografia de seu bisavô paterno, imigrante dinamarquês, nascido em 1833. “Com a finalidade de deixar para a família, os dados referentes aos nossos ancestrais”, conta. No entanto, a obra ganhou uma nova dimensão, por complementar a obra sobre o povoamento de Guarapuava, já que Luiz Daniel Cleve foi um dos entusiastas no desenvolvimento de Guarapuava. Vindo do sul da Dinamarca, Luiz Daniel Cleve desembarcou em Paranaguá, em 1854. “Conta a tradição oral que veio acompanhado de um irmão, mas a vinda dos dois é um mistério”, destaca o desembargador. Conta-se que o irmão voltou à Europa. “Enquanto Luiz Daniel Cleve montou no lombo de burro e foi bater os costados em Guarapuava”, ressalta o autor. O biografado foi à Guarapuava a convite de um fazendeiro, para trabalhar com o gado. Chegando em Guarapuava, logo se percebeu que o estrangeiro tinha outras habilidades. “Era, certamente, um homem de temperamento inquieto e logo exerceu outras atividades”, conta o desembargador. Luiz Daniel Cleve ofereceu seus conhecimentos médicos, envolveu-se na política e atuou como jornalista, sendo o fundador de um dos primeiros jornais do Paraná O Guayra, em 1893. Octogenário, faleceu em Foz do Iguaçu, em uma missão proposta pelo chefe do Estado, em 1914. Seu corpo foi transladado para o Cemitério Municipal de Guarapuava, em 1946, quando se erigiu um monumento, em forma de uma coluna quebrada, representando a perda sofrida pela comunidade local.

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