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Diferença salarial entre homens e mulheres é de 19,63% na mesma função
Pesquisa é do Departamento de Economia da Unicentro
Cristina EstecheJornalista
4 min de leitura
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Quando se trata da economia a participação da mulher também possui um papel fundamental. Afinal são elas advogadas, professoras, empresárias, policiais, jornalista, dentista, publicitárias, domésticas, profissionais da construção civil, motoristas, entre tantas outras áreas de atuação.
Nesse universo, porém, a discriminação e o preconceito são os mesmos existentes em outros municípios brasileiros, ou seja, apenas mudam de endereço. Para se ter uma ideia, em Guarapuava a diferença salarial em homens e mulheres é em média de 19,63%. Os setores que apresentam as maiores diferenças salariais de gênero em Guarapuava são a administração pública (-34,05%), o Comércio (-29,04) e a indústria de transformação (-23,57%).
Esse é apenas um dos pontos levantados durante pesquisa elaborada pelo Departamento de Economia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro),
De acordo com a professora e doutora do Departamento, Luci Nychai, as mulheres representam 50,77% da população de Guarapuava e os homens 40,23%. Contudo, força de trabalho feminina constitui 41,37% dos empregos formais.
participacao-mulher-emprego-guarapuava
De acordo com a economista, a maior participação da mulher na força de trabalho formal do município está na faixa etária dos 25 aos 49 anos. “Entretanto, a idade não é empecilho para ocupação das vagas formais de trabalho para a mulher guarapuavana. Mulheres acima de 50 anos ocupam 38,17% das vagas ofertadas no mercado formal de trabalho”.
Tabela 1: Ocupação das vagas de trabalho formal da mulher guarapuavana
Faixa Etária
Masculino
Feminino
Total
Part % da mulher
Total (%)
2 - 15 a 17 anos
242
97
339
28,61%
100
3 - 18 a 24 anos
4.359
2.746
7.105
38,65%
100
4 - 25 a 29 anos
3.754
2.753
6.507
42,31%
100
5 - 30 a 39 anos
6.970
5.123
12.093
42,36%
100
6 - 40 a 49 anos
5.168
4.105
9.273
44,27%
100
7 - 50 a 64 anos
3.818
2.438
6.256
38,97%
100
8 - Acima de 65 anos
278
91
369
24,66%
100
Total
24.589
17.353
41.942
Fonte: DECON/UNICENTRO conforme dados da RAIS (2017).
Apesar, da participação relativa da mulher na força de trabalho formal ser menor que a dos homens, em alguns setores a mulher ocupa a maioria das vagas como, por exemplo, na docência com 97,26% da força de trabalho formal é preenchida por mulheres, principalmente na educação básica, fundamental e média. Nos escritórios em geral e no comércio as mulheres também ocupam mais da metade das vagas.
participacao-guarapuavana-formal
A economista observa que mesmo nos dias atuais, com maior empoderamento da mulher na economia e na sociedade, o mercado de trabalho está pagando, em média, 25% menos para as mulheres do que para os homens, no exercício das mesmas funções. Enquanto o rendimento médio das mulheres é de R$ 1.764,00 a dos homens é de R$ 2.306,00 para a mesma função.
Em Guarapuava a diferença salarial em homens e mulheres é em média de 19,63%. Enquanto a média dos rendimentos do trabalho masculino é de R$ 2.723,04 a do trabalho feminino guarapuavano é de R$ 2.188,47. Os setores que apresentam as maiores diferenças salariais de gênero em Guarapuava são a administração pública (-34,05%), o comércio (-29,04) e a indústria de transformação (-23,57%).
media-rendimento-salarial-setor
Em Guarapuava, a força de trabalho feminina apresenta um maior nível de empregabilidade, principalmente em momentos de crise. Entre 2015 e 2016, enquanto o emprego formal masculino de Guarapuava perdeu 1232 vagas, no caso das mulheres, o saldo - entre desligamentos e admissões femininas - foi positivo na ordem de 526 vagas, principalmente no setor da indústria, da administração pública e da agropecuária.
Esse evento tem uma justificativa paradoxal. Se, por um lado, a força de trabalho feminina é mais qualificada em termos de escolaridade e apresenta maior produtividade, de outro lado o valor da sua remuneração é baixo. E em momentos de crise, os agentes econômicos tendem a cortar custos, optando pela mão de obra feminina. Infelizmente, a realidade mostra que as mulheres tem um longo caminho a percorrer na conquista do respeito e do tratamento justo, tanto no aspecto social quanto econômico.