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Criança no celular (Foto: reprodução/Freepik)
ECA DIGITAL

ECA Digital entra em vigor: 7 mudanças que mexem com a rotina online

A nova lei vale já neste mês e afeta redes sociais, jogos e aplicativos. Veja o que muda para crianças, pais, escolas e plataformas — e o que dá para fazer agora

Luana Esteche
Luana Esteche Jornalista
8 min de leitura

Criança no celular (Foto: reprodução/Freepik)

A nova lei vale já neste mês e afeta redes sociais, jogos e aplicativos. Veja o que muda para crianças, pais, escolas e plataformas e o que dá para fazer agora. O ECA Digital é o nome mais comum para a Lei nº 15.211/2025, que amplia a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Ele entra em vigor em 17 de março de 2026 e, na prática, transforma “boas intenções” em deveres técnicos: idade, privacidade, segurança e supervisão passam a ser exigências de funcionamento, não só de termos de uso. ([Planalto][1])

Mudança 1 — Conta de menores de 16 terá de estar vinculada a responsável

O que é: redes sociais devem garantir que contas de crianças e adolescentes até 16 anos estejam vinculadas a um responsável legal. Para quem impacta: crianças e adolescentes; pais; plataformas. O que muda na prática: a lei cria um “ponto de controle” formal. Se a plataforma não consegue vincular, ela deve impedir que a conta reduza as configurações de supervisão para um nível menor de proteção em relação ao padrão. O que fazer agora: pais e responsáveis podem organizar um e-mail/telefone que será usado para essa vinculação e revisar configurações de conta familiar no aparelho (isso reduz fricção quando a plataforma exigir o vínculo). (ponto não desenvolvido nos trechos da tese anexados nesta conversa)

Mudança 2 — Supervisão parental deixa de ser improviso: vira obrigação com “padrão alto”

O que é: a lei detalha o que ferramentas de supervisão parental precisam oferecer e determina que as configurações-padrão adotem o maior nível de proteção disponível. Para quem impacta: pais; crianças e adolescentes; plataformas; também escolas, porque isso altera o comportamento de uso e de contato. O que muda na prática: não é só “ter controle parental”. A lei lista, por exemplo, restrição de contato com não autorizados, limite a recursos que estendem artificialmente o uso (autoplay, recompensas, notificações), controle sobre recomendações personalizadas (inclusive opção de desativar) e limitação visível do tempo de uso. O que fazer agora: procure as configurações de “tempo de uso”, “compras” e “contatos” no aparelho e no app; a regra é que o padrão seja mais protetivo, e a lei proíbe desenho de interface que incentive desativar salvaguardas.

Mudança 3 — Verificação de idade: autodeclaração perde espaço em situações sensíveis

O que é: o ECA Digital trata verificação etária como parte do desenho de segurança e não apenas como um campo de cadastro. (ponto não desenvolvido nos trechos da tese anexados nesta conversa) Para quem impacta: plataformas; crianças e adolescentes; pais. O que muda na prática: a tese da sua pesquisa é que a lei passa a reconhecer verificação e acesso como problema de arquitetura (“o sistema precisa funcionar de outro jeito”), e não como “clique de boa-fé”. O que fazer agora: desconfie de serviços que ainda se apoiem só no “tenho 18” para liberar experiências claramente inadequadas; a tendência é o mercado migrar para mecanismos mais robustos (mas isso precisa ser feito com minimização). (ponto não desenvolvido nos trechos da tese anexados nesta conversa)

Mudança 4 — “Sinal de idade” por API: lojas e sistemas operacionais entram no jogo

O que é: lojas de apps e sistemas operacionais passam a ter dever de aferir idade ou faixa etária e fornecer um “sinal de idade” por API segura às aplicações, com proteção de privacidade desde o padrão. Para quem impacta: plataformas e apps (que recebem o sinal); lojas/SO (que fornecem); pais e crianças (que sentem o efeito no fluxo de instalação e uso). O que muda na prática: a lei tenta evitar que cada app invente sua própria coleta para “descobrir idade”. A ideia é o sinal ser um atributo (faixa etária), não necessariamente data de nascimento. A lei exige minimização e veda compartilhamento contínuo, automatizado e irrestrito. O que fazer agora: quando surgir pedido de “confirmação de idade”, a pergunta certa é: isso é faixa etária (sinal) ou cadastro completo? A linha entre proteção e excesso de coleta é um ponto que a tese da sua pesquisa alerta como risco real.

Mudança 5 — Download de apps por menores: consentimento parental sem “silêncio = sim”

O que é: autorização para download por crianças e adolescentes depende de consentimento livre e informado do responsável, vedada presunção por ausência de manifestação. Para quem impacta: pais; crianças e adolescentes; lojas de apps; desenvolvedores. O que muda na prática: a instalação tende a ficar mais “governada”: fluxos de consentimento, aprovação e histórico. A lei ainda manda respeitar autonomia progressiva, o que evita tratar adolescente como criança pequena — mas sem abrir mão de proteção. O que fazer agora: se o aparelho é compartilhado, vale separar perfis/usuários e ativar aprovação de compras e downloads. (ponto não desenvolvido nos trechos da tese anexados nesta conversa)

Mudança 6 — Dados da verificação de idade: uso fica limitado à finalidade

O que é: dados coletados para verificação de idade só podem ser usados para isso — e para mais nada. Para quem impacta: plataformas; lojas/SO; pais e menores. O que muda na prática: a pergunta que muita gente fará é: “vão guardar meus documentos?” A lei não descreve uma tecnologia única, mas coloca um limite claro: se coletou dado para verificar idade, não pode reaproveitar para perfilamento, publicidade, “enriquecimento cadastral” ou outros fins. O que fazer agora: se a plataforma pedir documento e, depois, esse dado aparecer em “melhorias de recomendação” ou publicidade, isso acende alerta. (ponto não desenvolvido nos trechos da tese anexados nesta conversa)

Mudança 7 — Interface não pode “empurrar” a desativação do controle parental

O que é: a lei proíbe projetar ou manipular interfaces com objetivo ou efeito de comprometer autonomia e escolha, especialmente se enfraquecer ferramentas de supervisão parental ou salvaguardas. Para quem impacta: plataformas; famílias; escolas (porque isso afeta hábitos e conflitos de uso). O que muda na prática: sabe aquele botão escondido, a opção confusa, o caminho longo para ativar proteção? A lei mira justamente o desenho que sabota salvaguardas. “Proteção por padrão” não pode ser só slogan. O que fazer agora: quando um app dificultar ativar limites ou facilitar desativar, registre (prints, data, versão) e use canais de suporte/denúncia. (ponto não desenvolvido nos trechos da tese anexados nesta conversa)

PERGUNTAS RÁPIDAS

1. ECA Digital é um “novo ECA”? Ele não substitui o ECA de 1990. É uma lei específica para ambientes digitais, com deveres para plataformas, lojas, sistemas operacionais e serviços usados por menores. ([Planalto][1]) 2. Quando começa a valer? O texto legal fixa vigência em 17 de março de 2026. 3. Meu filho vai precisar “mandar documento” para usar rede social? A lei exige mecanismos e admite métodos complementares em casos específicos, mas não define um único modelo técnico universal. O limite verificável aqui é: dados de verificação só podem ser usados para verificar idade. 4. Vincular conta até 16 significa que os pais podem ver tudo? A lei fala em supervisão parental orientada ao melhor interesse e ao desenvolvimento progressivo, e lista ferramentas e limites. O desenho do “quanto vê” varia por serviço e não é totalmente verificável só pelos anexos, mas o foco é proteção por padrão, não vigilância total. 5. E se a plataforma errar a idade e bloquear meu filho? Para redes sociais, há previsão de procedimento célere e acessível de apelação para o responsável comprovar a idade por meio adequado. 6. Qual é o risco de isso virar “mais controle” e menos privacidade? Sua tese aponta dois riscos: a sobrecarga de “competência técnica” exigida das famílias e a fronteira pouco clara entre mediação protetiva e vigilância abusiva, além do limite estrutural dos pais diante de sistemas desenhados para maximizar engajamento.

FECHAMENTO

O ECA Digital chega num momento em que o país já discutia, em voz alta, a exposição de crianças nas redes — e o debate não foi abstrato. Em agosto de 2025, um vídeo do influenciador Felca sobre adultização infantil viralizou e puxou o tema para o centro da conversa pública, inclusive no Congresso. ([Portal da Câmara dos Deputados][2]) Agora, com a lei em vigor neste mês, a promessa vira cobrança: conta vinculada até 16, supervisão parental com padrão alto, minimização de dados e proibição de “interfaces que sabotam proteção”. Funciona? A pergunta óbvia é essa. A resposta vai depender de implementação e fiscalização, mas uma coisa muda já: a proteção deixa de ser só discurso. Vira regra de funcionamento. [1]: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/L15211.htm?utm_source=chatgpt.com "L15211 - Planalto" [2]: https://www.camara.leg.br/radio/programas/papo-de-futuro/1187405-felca-a-protecao-de-criancas-e-a-reconstrucao-da-internet/?utm_source=chatgpt.com "Felca, a proteção de crianças e a reconstrução da internet" Leia outras notícias no Portal RSN.
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Sobre o autor

Luana Esteche

Luana Esteche

Jornalista

Luana Esteche Nunes é advogada, Procuradora geral da Câmara de vereadores de Guarapuava e Doutora em Direito pelo IDP/ Brasilia, com atuação em Direito Civil, Digital, do Consumidor e Público.