22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava Paraná

Entre o coração, o voto e a vidraça

O verão paranaense pode até sugerir descanso, mas nos bastidores do Palácio Iguaçu, o termômetro político marca temperaturas bem mais altas

Guto e Ratinho Jr (Foto: reprodução redes sociais)

O verão paranaense pode até sugerir descanso, mas nos bastidores do Palácio Iguaçu, o termômetro político marca temperaturas bem mais altas que as do litoral. A sucessão de Ratinho Junior entrou naquela fase em que cada gesto carrega um simbolismo que os analistas não podem ignorar. Seja um aperto de mão oficial ou um jogo de frescobol na areia.

No núcleo central a mesa está posta com três nomes principais, cada um representando uma faceta diferente do poder estadual. E isso todos já sabemos. Mas vamos olhar por outro lado. Numa posição bem estratégica temos Guto Silva, o coração. Afinal, não é segredo para ninguém a afinidade pessoal e a confiança absoluta que o governador deposita em Guto. A imagem dos dois dividindo a bola no frescobol durante o recesso não é apenas lazer. Trata-se da reafirmação de uma parceria de “sangue”. Guto é o nome da continuidade emocional, o homem que fala a língua do governador sem precisar de tradutor.

Bem próximo, mas nem tanto, está Alexandre Curi, a musculatura. Se Guto tem o afeto, Curi tem o mapa do Paraná na palma da mão. Enquanto muitos ainda sacudiam a areia dos pés, o deputado já estava na ativa nesta segunda (5), operando a máquina política que o torna o maior colecionador de prefeitos e bases no interior. Curi não é apenas um aliado; é uma potência eleitoral que dificilmente aceitará o papel de espectador. E ele não cansa de repetir isso. Longe de ser qualquer ameaça, mas com convicção.

Já Rafael Greca, a densidade. O ex-prefeito de Curitiba traz o peso da capital e uma biografia robusta. É o nome para o eleitorado urbano e sofisticado, mas enfrenta o desafio histórico: a força dele raramente “atravessa a Serra do Mar” com vigor suficiente para converter votos no interior agrícola, reduto onde Ratinho é soberano.

FATOR SANEPAR

Nem tudo, porém, são flores e jogos de praia. O cenário de “céu de brigadeiro” do governo começa a enfrentar turbulências externas. As recentes denúncias envolvendo a Sanepar surgem como uma incômoda pedra no sapato de Ratinho Junior. E olha que a oposição capitaneada pelo deputado Requião Filho não dá trégua.

Até aqui, o governador tem demonstrado uma habilidade ímpar em se manter “entre copas”, preservando a imagem pessoal enquanto os problemas setoriais se desgastam em instâncias inferiores. Mas, com a proximidade da sucessão, a oposição e os órgãos de controle tendem a fechar o cerco. A pergunta que fica nos corredores  de várias instâncias de governo é : até quando o capital político do governador blindará as crises da companhia?

O QUE VEM POR AÍ

O jogo de frescobol de Guto e Ratinho registrado em foto no sábado (3) mostra sintonia fina, mas na política, como no esporte, o vento pode mudar de direção. A musculatura de Curi e o tabuleiro das alianças vão exigir que o governador use mais a razão do que o coração na hora do “vamos ver”.

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Cristina Esteche

Jornalista

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