22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava

Entre pesquisas, resorts e a sintonia do poder

Enquanto Ratinho Junior, Curi, Guto Silva calibram o radar para 2026, a oposição liderada por Requião Filho aponta a antena para o Norte

Requião Filho (Foto: RSN)

O cenário político vive um dia de “déjà-vu”. Embora o volume de informações pareça uma avalanche, o tabuleiro repete as mesmas jogadas. No plano nacional, pesquisas mostram Flávio Bolsonaro como o principal oponente de Lula. Por aqui, o titular do Iguaçu, com o aval estratégico de Gilberto Kassab, já calibra o cronograma para abril: o destino é 2026.

Essa movimentação agita os pretendentes à sucessão. Alexandre Curi reforça o mantra da prontidão e continuidade. Enquanto isso, Guto Silva mantém uma agenda frenética, percorrendo o estado com uma caneta ágil na liberação de recursos. Já Sérgio Moro segue pairando como um fantasma sobre os planos governistas. Moro lidera as pesquisas para o Palácio, mas enfrenta um racha silencioso: embora tenha o voto, ainda lhe falta o “bilhete de entrada” de uma federação que resiste em homologar o nome dele.

No entanto, no campo da oposição, Requião Filho mantém a tradição da família: um dia, um alvo. Nessa quarta (14), a artilharia mirou o Banco Master e os tentáculos que a instituição, agora sob investigação federal, estaria espalhando pelo Norte do Paraná. O deputado aponta uma teia que liga o capital financeiro a resorts de luxo na Região, levantando dúvidas sobre a origem e as conexões desses investimentos. A artilharia aponta para uma engenharia complexa que conecta privatizações de ativos a megaempreendimentos imobiliários na Região de Angra Doce.

NAS ENTRELINHAS

Mas para o bom entendedor, a denúncia de Requião Filho sugere algo que vai além do capital. O parlamentar deixa nas entrelinhas que esses resorts de luxo não surgem por acaso. Eles florescem onde o “espectro das ondas” é mais estável. É uma espécie de sintonia fina: de um lado, a voz que domina o dia do interior; do outro, o solo que recebe investimentos “masterizados”. Na visão da oposição, existe um radar infalível que orienta onde o desenvolvimento deve pousar, sempre operando na mesma frequência que dita o que o povo ouve.

Enquanto o estado assiste à avalanche de nomes para a sucessão, o foco recai momentaneamente sobre essa “rede” invisível. Afinal, no Paraná, meia palavra e uma antena bem posicionada bastam para entender como a notícia e o patrimônio caminham na mesma linha de transmissão.

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Cristina Esteche

Jornalista

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