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Onça de cinco patas é avistada circulando livremente pelo bairro Vila Bela, em Guarapuava (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS

Feliz Dia do Jornalista!

Semana passada uma onça-parda de cinco patas provocou um auê no bairro Vila Bela. Você viu?

Thiago de Oliveira
Thiago de Oliveira Jornalista
4 min de leitura

Onça de cinco patas é avistada circulando livremente pelo bairro Vila Bela, em Guarapuava (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Imagine a seguinte tragicomédia. Um rapaz estava de bobeira em casa e resolveu sacanear a própria mãe: tirou uma foto da rua, foi até o GPT e pediu com jeitinho: chat, coloque um animal feroz na calçada. Rápido e eficiente, o chat pôs logo uma onça-parda caminhando livre, leve e solta. A senhora, menos instruída digitalmente, caiu na pegadinha e acionou a vizinha: tu viu isso, loka do céu? Na rua de casa! Assustada e ouriçada com a informação, a vizinha cumpriu o papel de alertar toda a vizinhança: cuidado com a fera, gente! Em poucos minutos o boca a boca e os grupos de WhatsApp fizeram o boato chegar a um grande e sempre muito "bem" informado perfil de Instagram, que prontamente compartilhou a imagem para milhares de seguidores. Não demorou para que o rebuliço se instaurasse. Outras contas que compõem o variado espectro de perfis supostamente informativos de Guarapuava também não hesitaram em compartilhar. De um simples aparecimento, o felino artificial também passou a ser acusado por internautas de ter atacado brutalmente um cachorro. A azáfama foi tão grande que a Polícia Ambiental foi acionada para capturar a besta-fera que ameaçava moradores da Vila Bela em plena Sexta da Paixão! Lá, os agentes foram informados pelo precursor da boataria que tudo não passava de uma brincadeira despretensiosa e de mau gosto. Claro, ora! Bastava aos responsáveis por compartilhar a mentira olhar com cuidado para a imagem para notar que a suposta onça caminhava em cinco patas, conforme bem destacou o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres da Unicentro neste carrossel: [caption id="attachment_330292" align="aligncenter"]
Fonte: @cetras.unicentroFonte: @cetras.unicentro
Fonte: Reprodução/@cetras.unicentro[/caption]

Desinformação

Após o esclarecimento dos agentes ambientais, o principal perfil responsável por espalhar a fake news apagou o post e não fez nenhuma outra menção à falsa onça. Contentou os seus seguidores com um autoindulgente "eu apenas compartilhei". Alguns que repercutiram o caso, mais idôneos, se retrataram. Inclusive o rapaz que criou a imagem. Claro que este rapaz tem uma parcela de culpa. Mas ele não é jornalista ou comunicador de massas, não tem por pressuposto profissional o compromisso com a veracidade dos fatos. Não é ele o responsável por mediar informações que serão, em menor ou maior grau, importantes para o leitor. Consciente disso, ele fez uma boa reflexão após o ocorrido, em uma rede social: “Isso ter crescido desse jeito só escancara a rapidez com que a desinformação se espalha e como alguns grupos de WhatsApp e Facebook podem ser perigosos e cheios de fake news, ainda mais quando gente despreparada ajuda a tratar como verdade algo que claramente era falso.” Feliz Dia do Jornalista! Há 95 anos a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) instituía o Dia do Jornalista. A data, 7 de abril, homenageia Líbero Badaró, símbolo da liberdade de imprensa e fundador da ABI. Badaró foi assassinado por sua oposição a Dom Pedro I. Claro, a repressão continua sendo um dos principais desafios enfrentados na profissão. No entanto, o jornalismo passa por um processo de descredibilização que se intensificou desde meados da década passada, com a ampliação do acesso à internet. Blogs pessoais e perfis de rede social emergiram como mediadores da informação. E essa informação exige cada vez mais celeridade, o que resulta em menos checagem, a exemplo do caso da onça-parda da Vila Bela. Com o avanço das inteligências artificiais e com a saturação de informação no mundo digital, o bom e sério jornalismo se torna ainda mais relevante. Exercer esse papel passa por denunciar o modus operandi de quem trabalha com fofoca, não com notícia. Leia outras notícias no Portal RSN.
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