Governador Requião e vice Pessuti lamentam falecimento de Zilda Arns

Curitiba – O governador Roberto Requião e o vice-governador, Orlando Pessuti, lamentaram a morte da médica pediatra e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns. A pastoral foi criada em 1983 em Florestópolis, cidade próxima a Londrina, e tem mais de 240 mil voluntários acompanhando o desenvolvimento de 1,6 milhão de crianças e idosos no Brasil e em mais de 20 países.
Requião decretou luto oficial por três dias no Paraná e vai sugerir ao presidente Lula a criação do prêmio Zilda Arns, para destacar os que lutam em defesa da vida de mães e crianças. A ideia é perpetuar as ações de proteção à vida nas classes carentes.
O governador classificou a morte da médica como uma perda irreparável, e demonstrou a sua gratidão pelas parcerias que desenvolveu com Zilda Arns. “Há mortes verdadeiramente irreparáveis. O mundo perde uma mulher notável e o Paraná vê-se privado de uma parceira na luta em defesa da vida. Para nós do Governo foi um privilégio trabalhar com Zilda Arns”, afirmou.
A médica estava em missão humanitária no Haiti, quando o país sofreu um terremoto que a vitimou. Requião lamentou a tragédia, ocorrida enquanto Zilda estava “na frente da batalha para salvar a vida das mulheres e crianças em um dos países mais pobres do mundo. A solidariedade, o amor ao próximo, a extrema dedicação aos desamparados sacrificaram a sua vida.”
O vice-governador Orlando Pessuti lembrou o pesar no Brasil todo pela morte da médica. “É uma notícia triste e terrível para todos nós, brasileiros, saber que perdemos a doutora Zilda Arns. Uma pessoa de uma personalidade muito forte, carisma fantástico e um senso humanitário dos maiores”, afirmou.

PARCERIAS – A Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa mantinha diversas parcerias com o governo estadual. No início do 2003, foram cedidos à entidade 399 funcionários públicos, um em cada município paranaense, para ajudar na expansão do atendimento no Paraná. Diversos convênios foram assinados, desde 2003, para repasses de recursos. A maioria desses valores foi aplicada em capacitação dos líderes e voluntários.
Em 2007, a Copel tornou-se a primeira empresa do setor elétrico brasileiro a formar parceria com a Pastoral da Pessoa Idosa, possibilitando à entidade arrecadar contribuições por meio de débito na conta de luz.
Desde março de 2009, a Pastoral da Criança e do Idoso participa do programa Paraná em Ação. Equipes da Pastoral fazem a divulgação das datas do programa nas comunidades pobres, para que a população possa usufruir os serviços prestados durante os eventos.
Em outubro do ano passado, o governo estadual homenageou Zilda Arns dando seu nome ao Centro de Atendimento Integrado ao Adolescente e à Criança de Florestópolis, onde foi feito o projeto-piloto da Pastoral da Criança em 1983.

ZILDA ARNS – Zilda Arns tinha 75 anos, era médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Ela nasceu no dia 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha, Santa Catarina. Filha de Gabriel Arns e Helena Steiner Arns e irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de São Paulo.
Viúva desde 1978, Zilda Arns é mãe de cinco filhos: Rubens (médico veterinário), Nelson (médico), Heloísa (psicóloga), Rogério (administrador de empresas) e Silvia (administradora de empresas).
Em 1959 Zilda terminou o curso de Medicina em Curitiba. Começou sua vida profissional como médica pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba, onde de 1955 a 1964 atendia bebês menores de um ano. Foi diretora técnica da Associação Filantrópica Sara Lattes e chefe da divisão de Proteção Social do Departamento da Criança da Secretaria de Saúde Pública do Paraná.
Antes de começar a coordenar a Pastoral, cuidou em 1980 da campanha de vacinação Sabin, durante a primeira epidemia de poliomielite no Estado. Dois anos depois, em 1982, uma comunidade de bóias-frias de Florestópolis, no Paraná foi escolhida para a experiência piloto da implantação do projeto de Zilda, por apresentar índices alarmantes de mortalidade infantil – 127 por mil nascidos vivos.
Depois de fazer um treinamento na John Hopkins University, nos EUA, ela foi convidada em 1983 pela CNBB e pela Unicef para fazer, com a Igreja, um trabalho pela sobrevivência infantil, tornando-se coordenadora nacional da Pastoral da Criança.
Desde 1978 recebeu diversas menções especiais e títulos de cidadã honorária. Foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz três vezes seguidas e recebeu 19 prêmios entre 1988 e 2002, entre eles a menção especial pela Unicef-Brasil como personalidade brasileira de destaque no trabalho em prol da saúde da criança; o Prêmio Internacional da Organização Pan-americana de Saúde, em Administração Sanitária, em 1994, e o título de Heroína da Saúde Pública das Américas, em 2002.
A Pastoral da Criança mobilizou e capacitou mais de 240 mil voluntários, que já atuaram em 40.853 mil comunidades em 4.016 municípios. A entidade acompanha hoje quase 95 mil gestantes e mais de 1, 6 milhão de crianças pobres menores de seis anos.
Zilda Arns promovia a capacitação dos voluntários e sua transformação em agentes sanitários, trabalhando nas comunidades onde moram. Treinados, os agentes se tornam líderes comunitários aptos a colocar em prática ações básicas de saúde e acompanhar as famílias que estão sob sua responsabilidade. O aumento da qualidade de vida evita que surjam doenças e problemas de saúde.

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