22/08/2023
Mário Luchetta

Juízes que honram o Judiciário: O legado de Indalécio Gomes Neto

A leitura desta obra não é apenas um exercício de admiração biográfica; é um reencontro necessário com os princípios que deveriam reger a nossa República.

Luís Mário Luchetta (Foto: divulgação)

Vivemos tempos em que o Judiciário brasileiro ocupa as manchetes não por suas sentenças discretas, mas por um protagonismo político que desafia a harmonia entre os Poderes. Diante desse cenário de incertezas, fui recentemente presenteado com o livro Páginas da Vida, de autoria do meu Amigo Indalécio Gomes Neto. A leitura desta obra não é apenas um exercício de admiração biográfica; é um reencontro necessário com os princípios que deveriam reger a nossa República.

Indalécio Gomes Neto é o exemplo vivo de que a excelência não depende de “berço de ouro” ou de apadrinhamentos políticos. Nascido no interior do Rio Grande do Sul em 1941, ele iniciou sua jornada na roça e, através do estudo rigoroso e do trabalho incansável, galgou todos os degraus da magistratura até tornar-se Ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Sua trajetória, que incluiu a presidência do TRT da 9ª Região (Paraná), é marcada por uma integridade que hoje soa como um ideal a ser resgatado.

O que mais impressiona na filosofia de Indalécio é o seu compromisso inabalável com a imparcialidade. Em um trecho de rara lucidez, ele afirma:

“Sempre entendi que o juiz tem que ficar acima dos conflitos de interesse ou ideologias… o juiz não pode e não deve ser um ativista político”.

Essa visão confronta diretamente o que vemos hoje: uma justiça que governa o país através da submissão de parlamentares à vontade de magistrados. Indalécio nos lembra que a missão do juiz é harmonizar a ética da convicção com a racionalidade, estabelecendo o equilíbrio sem se divorciar da realidade.

A ética de Indalécio também se materializou em gestão eficiente. Ao assumir a presidência do TRT-PR em 1989, ele demonstrou que a austeridade é o melhor caminho para o desenvolvimento: abriu mão de mordomias, trocando carros oficiais por equipamentos de informática para otimizar o sistema. Ele compreendeu cedo o que muitos governantes ainda ignoram: o Estado brasileiro agigantou-se em burocracia e impostos, sufocando a dinâmica da iniciativa privada, que é quem verdadeiramente gera riqueza.

Apesar das críticas firmes à corrupção sistêmica e ao “mar de dificuldades” que o Brasil enfrenta, a mensagem de Indalécio é de fé. Ele nos convoca a acreditar em um mundo melhor através da conciliação e da tolerância. Para ele, o caminho para o progresso exige governantes voltados para projetos de país, e não para a manutenção de poder.

Estamos em um ano eleitoral. Que a vida de homens públicos como Indalécio Gomes Neto sirva de bússola. O Brasil precisa voltar aos trilhos da ética, da transparência e da equidade. O Ministro Indalécio nos provou que é possível chegar ao topo mantendo as mãos limpas e o coração voltado ao bem comum. Que seu exemplo inspire os novos juízes e, acima de tudo, cada um de nós a buscar a transformação que nossa nação tanto merece.

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Cristina Esteche

Jornalista

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