Kundun mostra diversidade cultural do país

Guarapuava – Depois da estreia na Unicentro na última sexta, o grupo tem agenda marcada para Curitiba
Por Adriana Possan

“Que a tua energia produza em mim a luz que preciso para iluminar os que estão ao meu lado”. Esta foi uma das mensagens enunciada pelo grupo de dança e música afro Kundun Balê no show Encanto das Três Raças, cantada na versão do dialeto yorubá, bastante comum em Angola, Moçambique e Nigéria, na África. A estreia do show, no palco do auditório da Unicentro na última sexta (19), foi o passo inicial para uma série de apresentações do grupo neste ano.
O espetáculo foi montado no final do ano passado e começou a ser ensaiado efetivamente em fevereiro. “A gente veio sendo preparado ao longo dos três anos que o grupo existe, adquirimos experiência, o que agilizou os nossos ensaios, desde o começo do ano para cá”, afirma Isabela Cruz (Anaxilê), uma das integrantes do Kundun Balê. A novidade é que neste ano, para contribuir com o tema do próprio show, houve a integração entre as raças indígena, negra e branca, além da participação do grupo de artistas Mandorová, de Guarapuava, e da Associação Mensageiros de Aruanda (Assema), de Curtiba.
O show teve como principal concepção o sincretismo religioso brasileiro, procurando salientar nesta primeira apresentação, através da Assema, a existência de mais de um século da religião essencialmente brasileira, a Umbanda. Luan de Almeida Sales, estudante, assistiu ao espetáculo na sexta e comenta que, além da grande mídia, são poucos os meios de se saber mais sobre a religião. “Eu confesso que eu tinha um certo receio, porque o que eu conheço vem de uma forma negativa pela mídia e assim, nas próprias coreografias, eu pude perceber elementos que desmistificam um pouco isso” fala o estudante. Patrícia de Oliveira Silva (Thama), da Associação Mensageiros de Aruanda, completa dizendo que com o show houve a possibilidade de abordar a prática umbandista de uma forma menos preconceituosa, tornando alguns elementos mais acessíveis , como a questão da espiritualidade e dos orixás. “Foi bem gratificante mostrar algumas coisas sobre a Umbanda no palco porque tem muita gente que não conhece e não procura conhecer, exemplo disto é que os 100 anos da religião passou meio batido no Brasil”, lembra Patrícia.
Conforme Orlando Silva (Korin), diretor artístico do Kundun, a ideia para a próxima exibição do show, no Canal da Música, dia 11 de setembro, é a de evidenciar o trabalho do grupo Mandorová, uma vez que eles enfocam a cultura típica brasileira, dos caboclos, do mestiço e do índio no show. Marcela Mendes (Moryrê), integrante do Mandorová, comenta que a parceria possibilitou crescimento e desafio, tanto pessoal, quanto profissional, além de divulgar o próprio trabalho que o grupo de artistas pretende realizar ao longo do ano. “O desafio é superar as expectativas sempre, e neste espetáculo queremos contribuir com o Kundun. Há um esforço para não decepcionar porque admiramos o trabalho que eles têm feito. Além disso, com essa parceria podemos fixar e divulgar o nosso trabalho também”, menciona Marcela. Segundo o diretor artístico do Kundun Balê, em novembro, no Teatro Guairinha, em Curitiba, o Encanto das Três Raças deve dar continuidade na intenção de valorizar uma raça diferente a cada apresentação, uma vez que o Kundun Balê evidenciará no palco as raízes indígenas do país, o Kardecismo, o Candomblé e a própria Umbanda.

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