A decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, de indeferir a candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado provocou uma reação imediata de aliados na noite deste sábado (3). Lideranças passaram a divulgar vídeos dizendo que o nome e o número de Deltan continuarão aparecendo na urna neste domingo. Isso é correto: como a decisão ainda pode ser objeto de recurso, o nome permanece no equipamento. Entretanto, pela decisão vigente, os votos destinados a ele devam ser considerados nulos
Em Guarapuava, uma das manifestações mais enfáticas partiu do deputado estadual Fábio Oliveira, que saiu publicamente em defesa de Deltan. A estratégia dos aliados é clara: conter a desmobilização de um eleitorado que poderia interpretar o indeferimento como uma retirada definitiva da candidatura e simplesmente migrar o voto nas últimas horas antes da eleição.
Mas o movimento político mais interessante veio de Michelle Bolsonaro. Ela também gravou mensagem de solidariedade a Deltan e pediu votos para ele e para Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência. Sergio Moro não entrou no pedido de votos. Num momento em que Moro disputa o Governo do Paraná e Deltan integra justamente o campo político que o apoia, a ausência não passa despercebida.
O silêncio da ex-primeira-dama em relação a Moro ganha ainda mais peso porque o próprio ex-juiz reagiu duramente à decisão do TSE. Moro afirmou nas redes sociais que os aliados não aceitariam o que classificou como uma decisão “arbitrária e ilegal”. Portanto, enquanto Moro assume publicamente a defesa de Deltan, Michelle mobiliza o mesmo eleitorado em favor de Deltan e de Flávio, mas deixa o candidato ao governo fora da equação.
Politicamente, o gesto expõe uma tensão que a campanha tentou administrar durante toda a reta final: o eleitorado de direita no Paraná não está necessariamente organizado em torno de Moro. Ou seja: há bolsonaristas que apoiam Deltan, há bolsonaristas ligados diretamente a Flávio e Michelle e há o projeto eleitoral próprio de Moro. A coincidência de adversários não significa identidade de interesses.
A situação de Deltan agrava essa disputa interna porque ele aparece com peso eleitoral relevante. Na última Quaest, tinha 21% dos votos válidos para o Senado, empatado numericamente com Alexandre Curi e atrás de Filipe Barros. Qualquer movimento em torno de seu eleitorado, portanto, interessa diretamente às principais forças políticas do Estado.
Na prática, a véspera da eleição terminou com uma cena reveladora: Deltan tenta sobreviver juridicamente, Moro tenta manter coesa uma aliança e o bolsonarismo faz seus próprios movimentos sem necessariamente colocá-lo no centro. É nesse detalhe de quem pede voto para quem e, principalmente, quem é deixado de fora, que muitas vezes aparece a verdadeira fotografia de uma aliança eleitoral.