22/08/2023
Blog da Cris Brasil Paraná

O descompasso da integração!

A tentativa de desviar ônibus de turismo para a nova Ponte da Integração expõe a falta de diálogo com o setor produtivo e ameaça o fluxo comercial que sustenta Foz do Iguaçu

Ponte da Integração Foto Ricardo Stuckert

O recente episódio envolvendo o acordo bilateral entre os governos do Brasil e do Paraguai para a gestão do fluxo na Ponte da Integração revela um fenômeno comum, no entanto, perigoso, na gestão pública. Trata-se de uma desconexão entre o gabinete diplomático e o chão das cidades fronteiriças.

Nesta semana houve a notícia da decisão de transferir compulsoriamente o tráfego de ônibus de turismo da tradicional Ponte da Amizade para a nova Ponte da Integração no período noturno. Uma medida agora suspensa temporariamente após forte pressão popular, e que deveria entrar em vigor na próxima segunda (19). O que nos mostra um exemplo de logística que ignora a dinâmica social e econômica da Região.

O ponto mais sensível da crítica levantada por entidades como o Sindetur (Sindicato das Empresas de Turismo no Estado do Paraná) e o Comtur (Conselho Municipal de Turismo) não é a utilização da nova estrutura em si. Mas a unilateralidade de uma decisão tomada sem o diálogo com quem opera o destino. Ao estabelecer que os veículos deveriam cruzar a fronteira entre 19h e 7h pela nova ligação em Presidente Franco, as autoridades ignoraram que o comércio paraguaio encerra as atividades no fim da tarde. Fator que torna a janela de horário proposta absolutamente inútil para o turismo de compras.

MALHA ECONÔMICA PREJUDICADA

Essa medida não afetaria apenas Foz do Iguaçu, mas toda a malha econômica do Paraná. Atingiria diretamente, por exemplo, cidades como Guarapuava e Região, que vivem intensamente o cotidiano de compras na fronteira.

Para o microempreendedor e o turista do interior paranaense, que utilizam ônibus fretados partindo de centros como Guarapuava, qualquer entrave que aumente o tempo de viagem ou dificulte o acesso direto aos centros comerciais resulta em perda de competitividade e desestímulo ao consumo.

A suspensão da regra pela Receita Federal demonstra que a abertura progressiva da Ponte da Integração não pode ser feita às custas do sufocamento da principal atividade econômica regional. A integração binacional deve significar facilitação e fluidez. E não a criação de novos muros burocráticos que fragilizam a governança local e comprometem a imagem do destino frente ao mercado nacional.

É imperativo que as próximas reuniões da Comissão Mista considerem que a Ponte da Amizade possui uma vocação histórica e comercial. Portanto, não pode ser apagada por decretos que desconhecem a realidade das ruas. É crucial que o progresso da infraestrutura não atropele o sustento de milhares de famílias que dependem da dinâmica transfronteiriça.

EM TEMPO!

A inauguração da Ponte de Integração ocorreu em dezembro de 2025. Portanto, há menos de 30 dias. E apresenta falta de infraestrutura por parte do Governo Paraguaio, o que impede de pleno funcionamento.

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Cristina Esteche

Jornalista

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