22/08/2023
Blog da Cris

O Novo vira player e o PP mira o Planalto

Janela partidária redesenha a Assembleia com o fortalecimento do grupo de Deltan Dallagnol e PP aposta em deputados na Câmara Federal

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A abertura da janela partidária no Paraná não trouxe apenas trocas de legendas, mas a consolidação de um novo polo de influência na Assembleia Legislativa (ALEP). O movimento de Fábio Oliveira rumo ao Novo era a crônica de uma filiação anunciada, mas o peso político é simbólico. Isso porque solidifica a “bancada da ética e da lavajatismo” sob a batuta de Deltan Dallagnol, transformando o Novo, que antes era uma sigla de nicho, em um ‘player’ com voz ativa e mandatos reais no estado.

A grande surpresa, entretanto, reside na “fronteira” do União Brasil. A migração avançada de Luiz Fernando Guerra para o Novo é um movimento que mexe com as estruturas de Curitiba a Brasília. Guerra não carrega apenas o próprio mandato. Traz consigo o peso de um grupo familiar ligado à suplência de Sergio Moro. O irmão dele, Ricardo é suplente do ex-juiz. Se confirmada, a ida de Guerra representa uma oxigenação para o Novo, que deixa de ser um partido apenas de “caras novas” para atrair nomes com capilaridade e trânsito em setores produtivos e tradicionais do estado.

Enquanto o Novo se fortalece na ALEP, o Progressistas (PP) ajusta a artilharia para o plano federal. A decisão de Marcio Pacheco de abrir mão de uma reeleição confortável no estado para buscar uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2026 é um movimento de alto risco, mas de visão estratégica.

Pacheco entendeu que o centro de gravidade das grandes decisões e dos grandes recursos se deslocou definitivamente para Brasília. A saída dele abre um vácuo na base estadual do PP, mas sinaliza uma renovação na estratégia de Ricardo Barros e Maria Victória. Ou seja: fortalecer a bancada federal paranaense com nomes já testados e com alta densidade eleitoral.

O VEREDITO DAS URNAS

Essas movimentações mostram que a direita paranaense está se reorganizando em duas frentes: uma mais ideológica e combativa, personificada pela expansão do Novo, e outra pragmática e focada em cargos de decisão federal. Para o eleitor, o cenário que se desenha para outubro e, posteriormente, para 2026, é de uma polarização interna dentro do próprio campo conservador. Resta saber se o Novo terá musculatura para sustentar esses mandatos ou se será apenas uma vitrine para o projeto pessoal de lideranças.

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Cristina Esteche

Jornalista

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