A corrida pelas vagas majoritárias no Paraná costuma ser analisada pelo prisma viciado da fotografia do momento. Mas um olhar atento aos bastidores revela placas tectônicas em forte movimentação. Enquanto a maioria dos observadores se atém aos nomes consolidados, a dinâmica eleitoral do estado guarda nuances ignoradas até mesmo pelos analistas mais experientes.
O primeiro ponto cego do debate é a falsa impressão de consolidação da liderança de Sergio Moro (PL) e do teto de Requião Filho (PDT). Embora ambos ostentem alto recall e o ex-juiz lidere as intenções estimuladas, a grande realidade é que os dois operam muito próximos do limite de expansão de cada um.
Com índices expressivos de rejeição e forte desgaste por polarizações antigas, o crescimento dessas candidaturas encontra barreira na memória recente do eleitorado paranaense.
O que vemos é o alto número de indecisos supera o primeiro colocado, conforme a pesquisa divulgada nesta segunda (21). É exatamente aqui que reside o grande mistério que nenhum analista conseguiu decifrar: a impressionante marca de cerca de 42% de eleitores indecisos no cenário espontâneo. Este gigantesco contingente silencioso de paranaenses não quer o embate ideológico estéril nem o retorno a fórmulas passadas. Ele busca uma alternativa de gestão que transmita estabilidade, e Ratinho Junior tem alta aprovação.
Apesar desse mar de oportunidades, a candidatura de Sandro Alex (PSD) ainda não emergiu com a força total que a estrutura governista promete. O que falta para o candidato do PSD dar o salto definitivo? Primeiramente, romper a bolha da infraestrutura técnica e apresentar uma narrativa emocionalmente conectada às dores do quotidiano do eleitor do interior e da periferia das grandes cidades.
Para a engrenagem do Palácio Iguaçu transformar a alta aprovação de Ratinho Junior em votos definitivos para Sandro Alex, será preciso encarar de frente a disputa pelos indecisos. Faltando a comunicação assertiva para encarnar o verdadeiro sentimento de mudança sem ruptura, a candidatura governista corre o risco de ver um oceano de 42% de indecisos migrar por puro protesto no dia da votação.