22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

O PP não está fechado com ninguém, diz Ricardo Barros

Ricardo Barros, porém, disse que o Partido pode apoiar Ratinho Junior, Curi, Greca ou próprio Moro "lá na frente"

Ricardo Barros (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A saída de Sergio Moro do União Brasil e a ida para o PL representam mais do que uma simples troca de sigla. Isso porque marcam a entrada dele, mais nítida, no campo bolsonarista e reposicionam a disputa pelo governo do Paraná. Depois da resistência do PP dentro da federação União Progressista, Moro encontrou no PL o espaço partidário e o palanque que precisava para manter viva a pretensão de disputar o Palácio Iguaçu em 2026.

De acordo com Ricardo Barros, em conversa com o Blog da Cristina Esteche, a Federação queria que o ex-juiz saísse do grupo. A fala de Barros revela menos adesão pessoal a Moro e mais reconhecimento de que, fora da federação, o senador deixa de ser um foco de atrito interno e passa a jogar em outro tabuleiro. O PP, assim, ganha liberdade para negociar sem carregar um impasse dentro de casa.

“ESTÁ ERRADO”

Barros também deixou claro ao blog que o PP não está fechado com ninguém. “Está errado!”, disse ele quando questionado se a Federação decide pelo apoio ao governador do Paraná. “Quem é o candidato dele? Não podemos apoiar quem não ainda não existe.” Entretanto, Barros não descarta nenhuma possibilidade.

Ao afirmar que o partido pode caminhar com Ratinho Junior (Guto Silva), com Greca, com Alexandre Curi ou até com o próprio Moro, ele preserva o poder de barganha. E ainda mantém abertas todas as portas até as convenções, previstas entre julho e agosto.

GRECA NO MDB

Só que o cenário já mudou debaixo dos pés dessas articulações: Rafael Greca, citado como alternativa em diferentes arranjos, filiou-se ao MDB nesta quinta (19), e confirmou a pré-candidatura ao governo. Esse cenário esvazia a hipótese de uma acomodação simples dele dentro do campo de Barros.

A FORÇA DE CIDA

Há ainda outro detalhe importante nos bastidores: o nome de Cida Borghetti pode até seguir circulando como ativo simbólico do grupo Barros. No entanto, no plano público, a ex-governadora declarou no último dia 4 de março que não pretende disputar cargo eletivo em 2026. Já ao blog, Barros que a esposa pode sair candidata ao Governo ou ao Senado. Isso sugere que Cida não elimina o peso político, mas acena que a força dela hoje está mais na influência sobre negociações do que numa candidatura consolidada.

Nesse cenário, a movimentação de Moro fortalece a sobrevivência eleitoral dele, mas também o amarra de forma mais explícita ao projeto nacional do PL. Já Ricardo Barros segue operando com pragmatismo, mantém diálogo com vários campos e sinaliza que a prioridade real do PP pode estar menos na cabeça de chapa e mais no fortalecimento das bancadas estadual e federal. No fim, Moro ganhou legenda; Barros ganhou margem de manobra. E, na política paranaense, margem de manobra costuma valer tanto quanto voto.

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Cristina Esteche

Jornalista

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