O soldado de hoje é “filho da globalização”, mas vive as mazelas da atualidade, diz Coronel Facó

Para enfrentar os problemas, 26º mantém programas contra a depressão e acidentes de motos

Soldados do 26º GAC (Foto: Fer Gomes)

Se Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias estivesse vivo, estaria completando 215 anos, neste sábado (25). O Patrono do Exército Brasileiro nasceu na Vila de Porto Estrela, na cidade do Rio de Janeiro, e teve sua carreira militar iniciada ainda bem pequeno, aos cinco anos de idade, como cadete de primeira classe.

Aos 34 anos apaziguou a região maranhense onde aconteceu a revolta da Balaiada. Além dessa, foi vitorioso em várias rebeliões em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, como na revolta dos Farrapos.

Duque de Caxias sempre atuou junto de D. Pedro II, o que o tornou ministro da guerra por três vezes consecutivas. Ele morreu em 1880 após 60 anos como militar. A vitória conquistada de maior importância para o Brasil foi a da guerra do Paraguai, em 1869, onde conquistou o título de Duque.

Mas se Duque de Caxias ainda vivesse qual seria o perfil do soldado que ele encontraria nas fileiras dos quartéis brasileiros?

De acordo com o Coronel Ricardo Facó de Albuquerque, comandante do 26º Grupo de Artilharia e Campanha de Guarapuava (GAC), o soldado atual é muito bem informado, por ser “filho da globalização e da informação”, condição que exige muito mais dos militares efetivos. “Por causa disso, são mais ligados nos nossos exemplos do que nas nossas palavras. Eles não acreditam mais naquilo que falamos, mas observam o que fazemos”.

Soldados (Foto: Fer Gomes)

Ao contrário de gerações anteriores quando, a maioria dos jovens em idade de alistamento militar, faziam de tudo para “escapar” de servir à Pátria, hoje a adesão voluntária é predominante. Um dos atrativos é a carreira segura, com garantia de um futuro certo para quem prestar concursos e engajar na carreira. Hoje o limite para quem não faz ou não é aprovado em concurso é de apenas oito anos, e então é dispensado.

“Os que querem ficar são os que tem vocação e são muito melhores do que os soldados do passado”, diz o comandante.

Em contrapartida, segundo o Coronel Facó, é uma geração que sofre as mazelas da atualidade. “São mais frágeis psicologicamente”, o que os torna vulneráveis, principalmente, à depressão, ao suicídio e a acidentes de trânsito.

Coronel Ricardo Facó de Albuquerque, comandante do 26º GAC (Foto: RSN)

“Os índices de tentativas e de suicídios são altos. Há problemas psiquiátricos que não tínhamos antes”. Para enfrentar essa condição, em Guarapuava foram implantados programas de acompanhamentos por parte dos comandos imediatos. “O serviço de prevenção no Exército é constante, com palestras envolvendo psicólogos da Faculdade Guairacá, palestras motivacionais com antigos militares que servem como exemplo na sociedade”. Segundo Coronel Facó, uma cartilha preventiva é entregue a cada soldado.

Outra preocupação do Exército Brasileiro com a integridade física, principalmente, dos recrutas, diz respeito a acidentes com motocicletas. “Quando o jovem se alista, é aceito e vê que passa a ter uma renda mensal, primeiro compra um celular e depois financia uma moto”. Segundo o comandante, por serem “um pouco imprudentes”, 94% dos acidentes com motocicletas envolvem militares entre 20 e 30 anos de idade. “Para isso, temos o Programa Estágio de Prevenção de Acidentes com Motos, o EPAM”.

O 26º GAC conta hoje com 380 cabos e soldados, 245 recrutas e outros militares de outras patentes.

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