22/08/2023

Organização de blocos fragiliza o equilíbrio de poder na Câmara

Blocos parlamentares reorganizam a Câmara de Guarapuava e disputam força política nas comissões e no Conselho de Ética

Câmara de Guarapuava (Foto: DirCom)

A sessão dessa segunda (23) na Câmara de Vereadores de Guarapuava foi o palco de uma intensa “queda de braço” política que alterou drasticamente o equilíbrio de forças no Legislativo municipal. O que parecia ser uma coalizão majoritária consolidada, transformou-se em poucos minutos, em uma disputa estratégica que inverteu o favoritismo entre os grupos parlamentares.

O embate começou com o anúncio do bloco “União por Resultados”, liderado pelo vereador Paulo Lima (PP). Com 12 membros iniciais, incluindo o presidente da Mesa Executiva, Pedro Moraes (MDB), e o líder situacionista, Nego Silvio (PL), o grupo parecia deter o controle da Casa.

Contudo, a surpresa veio com a formação de um segundo bloco, liderado por Marcio Carneiro (Cidadania) e o vice-presidente Vardinho (Cidadania). A jogada mestre baseou-se em uma cláusula de exclusividade: a adesão ao novo grupo anularia automaticamente a participação em qualquer bloco anterior.

Como três vereadores assinaram ambas as listas, a validade migrou para o grupo de Carneiro, que saltou para 10 membros, reduzindo o bloco de Paulo Lima a apenas nove. O Portal RSN tentou contato com Paulo Lima e com Marcio Carneiro, sem êxito.

Já a bancada petista com as vereadoras Cris Wainner e Professora Terezinha garantiram à RSN que continuam na posição, sem compromisso com este ou aquele bloco.

CONTROLE DAS COMISSÕES E PROPORCIONALIDADE

A disputa não é apenas por nomes, mas pelo controle das nove comissões permanentes da Câmara. Embora Pedro Moraes tenha publicado a recondução dos membros para 2025 no Diário Oficial, vereadores de “alto escalão” garantem que o cenário mudará para refletir a nova realidade política.

Pelo Regimento Interno, a distribuição das 27 vagas nas comissões deve ser proporcional. Com a nova configuração, o bloco liderado por Marcio Carneiro assegura, tecnicamente, a maior fatia de poder, desafiando a hegemonia das bancadas isoladas. Hoje, conforme as composições, o PP lidera com cinco vereadores, seguido pelo MDB, com quatro. Já as bancadas médias com dois vereadores cada são o  PT, PL, Cidadania e Novo. Enquanto o PSB, PV, Podemos e PSD são bancadas individuais, com um vereador cada.

O FATOR KENNY ROGERS

O ponto mais sensível dessa reorganização é o Conselho de Ética. O órgão terá o poder de decidir o futuro do vereador Kenny Rogers (MDB), condenado por homicídio. O caso, atualmente na Mesa Executiva, divide os dois blocos em entendimentos jurídicos opostos. O “União por Resultados” (Paulo Lima) defende o encaminhamento imediato do pedido judicial ao Conselho de Ética.

Já ou outro bloco sustenta, conforme declarações ao Portal RSN, que como o crime ocorreu antes da diplomação, Rogers não estava no exercício do mandato. Sob essa ótica, não haveria quebra de decoro parlamentar por falta de jurisdição temporal.

PRÓXIMOS PASSOS

A definição dos nomes que ocuparão as três cadeiras do Conselho de Ética será o fiel da balança. Afinal, vai determinar se o processo de cassação seguirá para o plenário ou se será arquivado sob a tese da defesa. O desfecho desta queda de braço promete ser o capítulo mais determinante da política guarapuavana em 2025.

CONFIRA OS BLOCOS

União por resultados – Paulo Lima (PP), Pedro Moraes (MDB), Nego Silvio (PL), Professora Bia (PV), Rita Felchak (MDB), Buiu Martins (MDB), Kenny Rogers (MDB), Professor Saulo (Novo) Cristóvão da Cruz (Novo), Leandro Dobrychtop (PL), Sergio Kiçula (PL) e Rodrigo Crema (PL).

Bloco 2 – Marcio Carneiro (Cidadania), Vardinho (Cidadania), Rodrigo do Agita (PL), Professor Pablo (PP), Danilo Dominico (PP), Ike Silvestri (PP), Gilson da Ambulância (PSB), Kenny Rogers (MDB), Sergio Kuçula (PL), Buiu Martins (MDB).

  • Em negrito os vereadores que estavam nos dois blocos.

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Cristina Esteche

Jornalista

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