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ELEIÇÕES

Paraná é o 2º estado com mais processos de violência política de gênero em 2026

Dados apresentados pelo TSE revelam 19 procedimentos registrados no estado até setembro, num universo de de 177 casos registrados no País

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
4 min de leitura

O Paraná ocupa a segunda posição no ranking nacional de processos por violência política de gênero em 2026. Fica atrás apenas de São Paulo. Dados apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam 19 procedimentos registrados no estado até setembro, em um universo de 177 casos contabilizados no país. O avanço dessas denúncias coloca a proteção às candidatas no centro do debate eleitoral a poucos dias do primeiro turno.

A interpretação das estatísticas exige rigor analítico: os 19 registros no Paraná referem-se a procedimentos autuados na Justiça Eleitoral ao longo do ano, entre inquéritos policiais, representações e ações penais. Portanto, não equivale necessariamente a 19 condenações confirmadas ou a 19 vítimas distintas.

Ainda assim, o crescimento da pauta em escala nacional é expressivo. Para se ter uma ideia, entre janeiro e agosto de 2026, o TSE autuou 149 processos do gênero no Brasil, ante 31 no mesmo período do ano eleitoral de 2024. Um salto aproximado de 380%.

Conforme a avaliação do TSE, o aumento do volume processual reflete tanto a maior oferta de canais de denúncia quanto o encorajamento das candidatas. Muito embora a subnotificação ainda persista por medo ou pressões políticas.

Em relação à tipificação legal, o artigo 326-B do Código Eleitoral enquadra a violência política de gênero como crime. São atos de assédio, constrangimento, humilhação ou perseguição contra candidatas ou detentoras de mandato com base no menosprezo à condição de mulher.

REAÇÃO INSTITUCIONAL

Para combater esses episódios, o TSE firmou um Protocolo de Ação Conjunta com a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE). Criou-se então um canal especializado na Ouvidoria para triagem e acompanhamento contínuo de denúncias, inclusive anônimas.

No Paraná, a pauta ganha relevância com disputas acirradas envolvendo candidatas aos cargos majoritários e proporcionais. Exemplo disso é a notícia-crime apresentada pela candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) contra os adversários Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Jeffrey Chiquini (Novo), sob alegação de ataques sistemáticos. O caso segue em apuração pelos órgãos competentes para verificar a tipificação criminal dos fatos relatados.