Passarela da prostituição: avenida Manoel Ribas é dividida em pontos

O comércio do sexo dividiu a avenida em territórios. O ir e vir em Guarapuava se mistura com homens, mulheres, jovens, trans e travestis

Passarela da prostituição: avenida Manoel Ribas é dividida em pontos (Foto: Reprodução/Pixabay)

Os caminhos percorridos diariamente por quem chega e sai de Guarapuava pela via principal, também levam a outro mundo: o da prostituição. Quem passa pela avenida Manoel Ribas, se depara com uma espécie de vitrine do sexo. O espaço atrai homens, mulheres, jovens, transexuais (trans) e travestis. Dentro dessa forma de trabalho não há preconceito com gênero, raça ou cor para aqueles que atuam na área.

No entanto, para quem apenas transita pela avenida, isso pode muitas vezes, ser visto com outros olhos. A prostituição ainda é um tabu para boa parte da sociedade, mas não impede que o “comércio do prazer” continue funcionando em todos os horários do dia e da noite em Guarapuava. Conforme informações recebidas pelo Portal RSN, em Guarapuava as mulheres costumam se prostituir durante o dia.

Por isso, até que a noite caia, homens, trans e travestis dificilmente são vistos nos pontos demarcados na cidade. “As trans fazem uma distribuição na avenida Manoel Ribas, assim demarcam território. Uma delas manda de um bar até na caixa [em referência à agência da caixa econômica federal]. A outra manda da caixa para cima até a BR-277. Porém, as trans não “mexem” com as mulheres. Por isso elas trabalham durante o dia”.

De acordo com as informações, elas [trans] controlam os pontos a base do medo: ou seja, ameaçam. Quando outras garotas ou garotos de programa chegam na “área” das chefes da prostituição, ocorrem agressões. “Também ocorre muitos roubos. Muitas garotas de programa trans que chegam de outras cidades roubam. Aí as [trans] da cidade ficam no prejuízo, por conta disso. Os clientes não denunciam porque muitos são pessoas com nomes importantes em Guarapuava. Homens casados, não podem contar. Aí elas roubam e ficam se achando”.

 Uma trans morena estava na avenida há alguns dias. Ela tinha uma máquina de choque e uma de passar cartão. Olha, ela roubou de R$ 10 mil a R$ 15 mil.

DROGAS E HIERARQUIA

A fonte que fez contato com o Portal RSN, não será revelada por questões de segurança. Mas comentou ainda que a responsável pela prostituição que vai da agência bancária da avenida até a BR-277 tem uma casa de prostituição. Entretanto, a casa não é legalizada na cidade. Por isso, conforme a fonte, a polícia não saberia da existência da residência.

“Essa cafetina se responsabiliza por parte das drogadas, conhecidas como ‘nóias’. Inclusive uma das prostitutas que trabalhava com ela [cafetina] morreu esses dias. Ela vivia ‘chapada’ e acabou morrendo. Ela não era daqui”. Conforme o relato, a trans [cafetina] era responsável por garotas de programa que vinham de fora de Guarapuava. No entanto, agora ela trabalha apenas com prostitutas do município.

“Não sei informar ao certo, mas pelo que ouvi ela está com as meninas que usam droga e são de Guarapuava”. Além disso, relata que a distribuição dos espaços funciona por tempo de prostituição. Assim, as que estão nos melhores “pontos” são as que já têm mais tempo de trabalho na área.

De acordo ainda com a pessoa que repassou as informações ao Portal RSN, não se sabe sobre prostituição de crianças na avenida Manoel Ribas. “Todas que estão ali têm mais que 20 anos”. E, ainda cita o “batismo” – uma prática agressiva das próprias trans com as transexuais recém chegadas na cidade.

Antigamente tinha o tal do batismo. Cada trans que chegava e era nova na cidade levava uma surra de várias outras trans. Se ela voltasse para a rua podia ficar trabalhando no ponto, se não, não podia mais vir ali. Conheço pessoas que quase morreram, já bateram de muitos jeitos, com pedra, ameaçaram com faca.

A PROSTITUIÇÃO DESDE OS ANOS 1990

De 1945 a 1964 Terezinha Saldanha relatava a prostituição por meio da obra ” O Comércio do prazer: prostituição em Guarapuava”. Na narrativa ela retrata a história da prostituição no município. De acordo com a autora, a prostituição surgiu junto com a atividade econômica. E relacionava-se com as escravas de ganho, que futuramente passaram a se fixar nos prostíbulos.

Particularmente em Guarapuava, os primeiros prostíbulos apareceram em 1908, perto da Lagoa das Lágrimas e da Catedral Nossa Senhora de Belém. Conforme Rodrigo dos Santos, em uma resenha publicada sobre o livro da Professora Terezinha na Revista da área de História (Esboço) da UFSC, “a prática ficou conhecida com um princípio de incêndio na Catedral, na saída duas moças foram mortas pisoteadas. Inicialmente uma foi identificada como prostituta e a outra pela desfiguração do rosto não conseguiram sua identificação”.

Os proprietários fecharam um dos prostíbulos para o velório das jovens. “No entardecer percebeu-se que uma das jovens era a filha de uma autoridade da localidade, pela presença de um anel em seu dedo”.

A prostituição era entendida como um mal necessário, por isso a tolerância em determinados locais das cidades. Em Guarapuava o modelo adotado foi o de confinamento, importado da França, com início em 1908 seguindo até a década de 80 do século XX, nos anos finais as casas de prostituição foram retiradas do confinamento, adentrando aos vários bairros do município com destaque para a prostituição de rua.

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