Por Constantino Kotzias - Leio o texto do Mauro e vejo que, também ele, segue pela linha do raciocínio lógico sobre políticos. Mas, por mais que escrevamos, falemos e divulguemos, de pouco adianta nosso grito, ou protesto, ou pensamentos, ou seja o que for.
Pouco adianta porque na hora H do dia 2 de outubro, a cesta básica traduz o voto, o pagamento do dentista alivia o voto, a quitação do IPTU atrasado conquista outro voto e assim segue o baile.
Teremos surpresas pelo país no dia 10 de outubro, vendo calmamente quem foi eleito e reeleito.
Do jeito que a coisa anda, periga de Dona Dilma vencer, sem mérito nenhum e curriculum pouco menos, mas pelos braços e mãos do Presidente, que navega tranqüilo nos quase 80% de aprovação popular.
Periga de vermos políticos que deveriam sumir, assumirem postos em Brasília, em Assembléias, em cadeiras do Senado.
Periga, ainda, de vermos misturadas novamente, colunas políticas e policiais, visto que alguns eleitos têm contas a prestar perante a justiça, mas para “eles”, isto não significa nada.
Periga de vermos inexperientes sendo eleitos, pela força de experientes e políticos que só querem o poder ou o que ele possibilita.
Dificilmente teremos grandes mudanças, apesar de sabermos (poucos de nós), como é a vida e o dia a dia desta camarilha de políticos que assola nosso Brasil.
Nós que vimos Collor bater em Lula, hoje vemos Collor apoiar Lula, defender Lula, torcer por Lula.
Nós que vimos Requião e Osmar quase se matarem em praça pública, hoje vemos os dois no mesmo palanque.
Nós que vimos a imprensa noticiar falcatruas de Paulo Maluf, ainda vemos que é candidato novamente e será eleito, sem dúvida.
Daí, fica a pergunta: será que o povo é mal informado ou é tão cafajeste quanto quem ele elege?
Olhe que pesquisando calmamente a lista de candidatos para este outubro de 2010, fica difícil achar gente que preste e que não tenha pecados atrás. Existem, são poucos, mas dificilmente conseguirão a vitória.
Meu bom amigo Mauro: não pergunte de onde vem as verbas, pois sabemos de onde elas vem e como são administradas.
E estas verbas asseguram palanques para os de sempre e para alguns novatos.
É muito dinheiro gasto em eleições, mas não se preocupem: eles captam o triplo em 4 anos. Ou mais que o triplo.
A politica virou uma vitrine da cafajestice, da calhordice, dos escândalos semanais que não dão em nada. Mesmo o Arruda, em Brasília, hoje está feliz da vida e bebendo seu uísque 15 anos.
O Roriz é candidato novamente, mesmo depois de tantos processos.
A esperança que nasce é de ver a geração que tem hoje 20 anos, não mais acreditar nesta camarilha e tentar fazer alguma mudança em benefício deles e dos seus.
Nossa geração, que hoje tem 50 anos, dificilmente verá algo de novo.
Mensalões, arranjos, vendas de sentença, negociatas públicas, desvios de verba e afins, continuarão existindo.
Daniel Dantas sorri abertamente ao liberar alguns milhões para sua soltura.
Faz parte da índole da política nacional.
E se formos analisar política do interior do país, aí falta espaço.
Aqui no site e em qualquer página de jornal.
Jornal que o povo não lê (porque não sabe ler), rádio que não comenta nada, TV que não abre a história na íntegra.
Pena, mas caminhamos, mais uma vez, para a mesmice e os de sempre.
E dê-lhe música sertaneja e rancheira para o povo.
Apesar de nossos protestos, nossos textos, nossas conversas.
Enquanto a Dona Maria e o “Seu” João gostarem de cestas básicas, a coisa não vai mudar.
Pode faltar saneamento, escola e posto de saúde, mas a foto do candidato ta lá na porta de casa, o IPTU tá pago e a comidinha de outubro, garantida.
E o pior: tem gente que oferece, vence a eleição e ainda posa de benfeitor da região.
Triste futuro que nos aguarda.
Mais uma vez.