Seminário discute políticas de acessibilidade na Faculdade Guarapuava

Cada participante trouxe um pouco de sua experiência pessoal e contribuiu com as discussões

(Foto: Ascom/Faculdade Guarapuava)

O primeiro seminário regional da acessibilidade e inclusão mobilizou os acadêmicos e professores dos dois campus da FG, bem como Profissionais e pessoas da comunidade. Cada participante trouxe um pouco de sua experiência pessoal e contribuiu com as discussões. Em pauta esteve à melhoria do acesso às informações, ao conhecimento de modo geral, aos ambientes e também aos serviços públicos e particulares.

A noite de palestras no auditório foi aberta por uma apresentação do Grupo luz, formado por alunos atendidos pela APADEVI (Associação de Pais e Amigos de Deficientes Visuais de Guarapuava). A professora Eglecy Lippmann, responsável pelos ensaios, afirmou que a principal barreira enfrentada pelas pessoas com deficiência visual ou pessoas com baixa visão não é física, mas afetiva. “É preciso se sensibilizar com as necessidades do outro para mudar nossas atitudes. Apenas assim, conseguimos incluir aqueles que estão marginalizados. Todos somos diferentes, mas ainda não aprendemos a lidar com as diferenças”, disse no discurso de abertura.

Acompanhados de flauta, violão, pandeiro e outros instrumentos, os atores cantaram, declamaram poesias e emocionaram o público presente. No palco estava Evanize Andrade de Souza que perdeu quase completamente a visão aos 30 anos de idade por conta de uma retinopatia diabética. A egressa do curso de direito da faculdade Guarapuava diz que o processo de adaptação é contínuo e aproveita as oportunidades para conhecer novas pessoas, mostrar o trabalho feito pelo grupo e aprender ainda mais.

“Nossa sociedade ainda tem muito o que evoluir, é uma construção. O ponto principal é a sensibilidade, ver o que o outro precisa para estar incluso, isso envolve poder público e cada um de nós.”

Enquanto os alunos da APADEVI se apresentavam, simultaneamente ocorreram palestras sobre temas diversos, como a importância da Equoterapia na recuperação de movimentos e na autoestima dos pacientes. “Cabe aos médicos veterinários tratar e cuidar bem dos animais usados na Equoterapia. É uma cadeia onde cada um contribui para o resultado benéfico lá na frente. Comprovadamente os animais de estimação também tem um papel importante na recuperação de pacientes. Ou seja, nosso trabalho é abrangente e de grande importância”. Relatou Mariana Coneglian, na primeira palestra direcionada para acadêmicos das Ciências Agrárias. Além dela, a Médica Veterinária Tatiana Bischof Chicalski deu seu depoimento pessoal sobre o tratamento do filho com essa técnica e todos os benefícios alcançados.

Já os cursos de ciências contábeis e administração trouxeram o gerente de RH Edson Moreira e a psicóloga Karina Schwab, que trabalham na maior rede de supermercados da cidade, para contar como é a contratação dos chamados “PCDS”, pessoas com deficiência, e como funciona o acompanhamento dos funcionários no dia a dia da empresa.

(Foto: Ascom/Faculdade Guarapuava)

“Para nós é algo muito natural e fazemos isso há muitos anos. Muitas empresas preferem pagar multa por não cumprir a lei do que contratar os PCD’S. Nós, pelo contrário, contratamos e damos a assistência necessária para integrar o funcionário na rotina do supermercado. A principal contribuição é para a sociedade, pois todos devem ter seu espaço e seus anseios atendidos”, relata Edson.

(Foto: Ascom/Faculdade Guarapuava)

Segundo o Dr. Leonardo de Mattos Leão, diretor geral da Faculdade Guarapuava, o Simpósio busca mobilizar a sociedade para as mudanças efetivamente acontecerem. “Devemos enfrentar de modo mais firme a discriminação e a falta de apoio às pessoas com deficiência, mais do que isso, é necessário democratizar o acesso ao conhecimento e às políticas públicas que ajudem no desenvolvimento da pessoa como um todo. A faculdade tem se esforçado para cumprir sua missão ao longo dos anos e se colocar à frente desse processo”, afirmou.

Quem passou pelo saguão pode mergulhar no universo da língua dos Sinais e no da tecnologia que oferece conforto e mobilidade para os deficientes visuais e cadeirantes.

Os alunos de administração que estudam libras no terceiro período mostraram diferentes tipos de materiais didáticos e ilustrativos, incluindo mídias, sobre libras (língua brasileira de sinais), a segunda língua oficial brasileira. No encerramento, apresentaram a canção “semente do amanhã”, de Gonzaguinha, reforçando que nossas ações hoje ditam o futuro que viveremos.

Segundo Martha Gomes Loureiro, Professora de Libras, além de a Faculdade oferecer a disciplina de forma obrigatória nos cursos de ciências contábeis e administração, o foco de gerar mais acessibilidade é permanente. “Recentemente a FG implantou o ensino de algumas disciplinas pelo sistema EAD, o que proporciona o acesso ao conhecimento a qualquer tempo, em qualquer ambiente. Essa é uma forma clara também de inclusão. Hoje estamos mostrando que a sociedade deve se comprometer cada vez mais com a aceitação das diferenças, promovendo a igualdade de tratamento e direito a todos, independentemente das diferenças individuais”, afirmou.

(Foto: Ascom/Faculdade Guarapuava)

As mãos também serviram de inspiração para a criação de uma luva com sensor que facilita o deslocamento dos cegos. Elas vibram quando estão próximas de um objeto.

A invenção foi feita em parceria entre a acadêmica Maria Eduarda Pessoa da Silva do terceiro período de Controle e Automação e o Vinícius Bail, que perdeu a visão na infância; ambos estavam no ensino médio.  Outra tecnologia mostrada por eles está sendo aperfeiçoada. É a pulseira que permite a conexão em tempo integral do usuário com um aplicativo no smartphone que avisa quando a bateria está acabando, e também envia a localização em tempo real para outra pessoa solicitando auxílio. “A ideia surgiu quando Vinicius acompanhava um filme em que a personagem usava um óculos especial para poder ver, adaptamos um projeto de um americano e aperfeiçoamos a programação. Por causa das luvas participamos de diversos congressos e eventos para mostrar a importância da tecnologia como geradora de conforto e possibilidades de inclusão”, disse.

Já Carlos Henrique Fallac e João Cesar Cordeiro dos Santos, estudantes de Controle e Automação e de Engenharia Elétrica, respectivamente, adaptaram um OVERBOARD a cadeira de rodas. João usa o meio de transporte a sete anos, desde que perdeu o movimento das pernas em um Acidente. A engenhoca trouxe uma nova sensação para o jovem. “Ter mais liberdade e autonomia é muito bom. A cadeira também ganhou mais velocidade, o que dá uma certa adrenalina”, brinca.

A dupla quer aperfeiçoar a engenhoca como alternativa a cadeira motorizada que custa cerca de 8 mil reais, valor inacessível para a maioria dos cadeirantes.

“Nós unimos os conhecimentos das áreas de Engenharia Elétrica e de Controle e Automação e o próximo passo é desenvolvermos um controle capaz de dar os comandos de direção e velocidade para o OVERBOARD”, complementa Carlos.

 

(Foto: Ascom/Faculdade Guarapuava)

A noite ainda teve uma mesa redonda com diversos profissionais, entre eles Dra. Ana Paula dos Santos e Dr. Felipe Maciel Chaves, membros da OAB subseção de Guarapuava que falaram dos avanços da lei com relação à inclusão nos últimos anos, o arquiteto Diorgenes Ditrich que acompanha projetos em todo o estado, e a Engenheira Civil Célia Neto pereira Rosa, do CREA-PR defende que são as pequenas atitudes que promovem as mudanças necessárias.

“É preciso estar atento ao outro, desde o projeto de uma calçada ou portão que pode atrapalhar a passagem das pessoas. Se um cadeirante fosse em sua casa, a cadeira passaria pela porta? Na hora de projetarmos uma casa temos que pensar no acesso a ela, e a acessibilidade não é apenas para as pessoas com algum tipo de deficiência, é um direito de todos”, finaliza.

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