Sergio Moro (PL) está prestes a trocar o Senado pelo Palácio Iguaçu. O ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça alcançou neste domingo, 4 de outubro, a maioria necessária para vencer a disputa pelo Governo do Paraná ainda no primeiro turno, consolidando uma trajetória política que começou sob projeção nacional e agora ganha uma dimensão essencialmente executiva.
Às 19h47, com 99,17% das urnas apuradas, Moro registrava 50,18% dos votos válidos. Sandro Alex (PSD) aparecia em segundo lugar, com 25,29%, e Requião Filho (PDT), com 23,46%. Diante dos números, o Datafolha projetou a eleição do candidato do PL.
Moro já se deslocou para o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em Curitiba, enquanto a Justiça Eleitoral avança para a conclusão da totalização. O TRE-PR informa que os resultados oficiais do primeiro turno são disponibilizados a partir dos dados do Tribunal Superior Eleitoral.
A vitória tem um componente político especialmente significativo: Moro não derrotou apenas candidatos de campos ideológicos diferentes. Ele conseguiu superar também a máquina política organizada em torno da sucessão do governador Ratinho Junior (PSD).
Sandro Alex entrou na eleição como o nome escolhido pelo atual governador para representar a continuidade de sua administração. Ex-secretário de Infraestrutura e Logística, recebeu apoio explícito de Ratinho Junior e de uma ampla estrutura partidária ligada ao PSD.
A campanha chegou à reta final marcada por ataques diretos entre os dois grupos. Ratinho Junior acusou Moro de romper alianças e chegou a dizer que o político era diferente da imagem construída durante os anos em que atuou como juiz federal.
Mesmo assim, o eleitor paranaense optou por uma ruptura parcial com o projeto de continuidade.
Moro vence, mas a margem também merece atenção. Superar os 50% por uma diferença relativamente pequena significa escapar do segundo turno, mas revela ao mesmo tempo um estado politicamente dividido: praticamente metade dos votos válidos foi destinada a outros candidatos.
AGORA, UM TESTE DIFERENTE
Conhecido nacionalmente pela condução de processos da Operação Lava Jato em Curitiba, ele deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro. Depois de romper com Bolsonaro, iniciou carreira eleitoral e conquistou uma cadeira no Senado em 2022.
Agora, terá diante de si um teste diferente.
No Judiciário, Moro construiu uma imagem em torno do combate à corrupção. No Senado, ocupou uma posição de fiscalização e elaboração legislativa. No governo estadual, será obrigado a administrar orçamento, infraestrutura, educação, saúde, segurança pública e uma máquina com dezenas de milhares de servidores.
É justamente nessa passagem da política de símbolos para a política de resultados que estará o principal desafio de seu governo.
Durante a campanha, Moro organizou o programa em cinco grandes eixos e colocou entre as prioridades segurança pública, desenvolvimento econômico, geração de emprego, saúde e educação. O discurso dele buscou apresentar o Paraná como uma espécie de “fortaleza”, expressão recorrente de sua campanha.
A vitória também devolve a Moro uma posição de destaque na política nacional. Depois das controvérsias que acompanharam a saída da magistratura, a passagem pelo governo Bolsonaro, o rompimento com o ex-presidente e as disputas jurídicas e eleitorais dos últimos anos, comandar um dos estados economicamente mais relevantes do país oferece ao novo governador uma plataforma política de peso.