Servidores fazem “operação tartaruga”. SISPPMUG entra com mandado de segurança no Ministério do Trabalho

Guarapuava – Sem chance de negociação com administração servidores públicos municipais vão cruzar os braços hoje, dia 1, e amanhã, dia 2 de julho. Os servidores trabalharão até às 10 horas pela manhã e até às 15 horas à tarde. O horário excedente do expediente normal nos dois períodos serão ocupados para uma mobilização em frente a Prefeitura.
“Só sairemos de lá quando formos atendidos”, avisa a presidente do Sindicato dos Servidores Público e Professores Municipais, o SISPPMUG, Ediane Gomes de Lima. Caso não haja avanços a palavra de ordem passará a ser greve geral.
A deliberação da “operação tartaruga” nesses dias aconteceu durante assembleia geral realizada no final da tarde de terça-feira, dia 23, no saguão da Câmara.
O SISPPMUG realizaria nesse dia um movimento em frente à Prefeitura em mais um dia de luta pela reposição salarial de 38%, percentual que se acumula desde 2007. A chuva, porém, impediu a permanência em frente ao Paço, mas não dispersou a mobilização que foi parar na Câmara.
“Essa é mais uma demonstração de que a Câmara é a casa do povo e que é aqui que a população está encontrando respaldo. Se o gabinete voltou a ter as portas fechadas, a Câmara continua de portas abertas”, afirma o presidente Admir Strechar (PMDB).
Paralelamente, o Sindicato entra com mandado de segurança junto ao Ministério do
Trabalho para pressionar o prefeito a conceder a reposição salarial. “O prefeito é obrigado a conceder reposição salarial nem que o percentual seja mínimo”, observa a
presidente do Sindicato, Ediane Gomes de Lima.
Para ela, a possibilidade de reposição dada pelo vice-prefeito Jorge Massaro enquanto respondia interinamente pelo município não passou de um aceno. “Ele (Massaro) disse que pediu ao contador do município, Ildo Belin para que fizesse um estudo e que, dentro do possível, concederia a reposição, mas agora tudo mudou”, disse a sindicalista referindo-se a afirmação feita pelo prefeito Fernando Ribas Carli na manhã de terça-feira, 22, de que o município não possui recursos para essa concessão. “É preciso saber qual será o impacto econômico que isso vai causar e o dinheiro que tenho hoje posso não ter no ao que vem. Não posso dar um aumento e não poder pagar”, disse Carli.
“O que falta é vontade política”, reage Ediane. Segundo a presidente do SISPPMUG, um estudo encomendado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos) aponta que há uma margem financeira que permitiria a reposição salarial. Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o município Pode dispor de até 52% do orçamento com a folha de pagamento. Guarapuava, conforme a sindicalista, gasta apenas 42%, havendo, portanto, uma “gordura” de 10% que poderia ser “queimada” com a reposição salarial.
O município possui hoje perto de 4 mil funcionários além de outros cerca de 2 mil que trabalham na Surg. “A orientação da LRF é de que se há excesso deve ser cortar os cargos comissionados. Temos um excesso de estagiários”, observa Ediane.
A defasagem salarial coloca o município na liderança de um “ranking” nada agradável. “Temos hoje um dos, se não, o pior salário da região no magistério”, diz Ediane. Segundo ela, um professor com 20 horas/aula que trabalho no município de Pinhão ganha quase R$ 1 mil. “Aqui um professor com essa mesma carga horária recebe R$ 475,00”, compara.
Os vereadores situacionistas Fernando Alberto dos Santos (PP) e Maria José Mandu Ribas (PSDB) disseram que agendarão uma conversa entre o Sindicato e o prefeito.

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