22/08/2023
Blog da Cris Paraná

Todos correm, mas quem decide descansa

Enquanto Ratinho Junior curte férias nos EUA, os bastidores da política paranaense seguem repetindo velhas fórmulas

Ratinho Junior (Foto: arquivo/RSN)

Nos bastidores da política paranaense, a grande novidade é que… nada muda. Em um cenário marcado por repetições estratégicas e articulações previsíveis, as figuras conhecidas seguem se movendo como se o jogo ainda fosse novo. Embora já esteja claro para muitos eleitores que os tabuleiros estão gastos, e os jogadores também.

Guto Silva, que apareceu desfilando com Deltan Dallagnol na feira de móveis de Apucarana, segue a corrida obstinada para se viabilizar como o sucessor de Ratinho Junior. A aparição pública ao lado do ex-procurador, cassado e símbolo do lavajatismo em declínio, revela mais do que uma simples parceria de ocasião. Guto aposta numa herança simbólica de um moralismo em ruínas, buscando consolidar uma imagem de renovação que, na prática, recicla os mesmos discursos de 2018.

Enquanto isso, Alexandre Curi mantém a aposta na dobradinha com Rafael Greca para vice, mas sofre com a instabilidade. Isso porque Greca já sonda o Progressistas de Ricardo Barros. Uma movimentação que evidencia o pragmatismo típico do prefeito de Curitiba, sempre pronto para uma guinada partidária se isso garantir a continuidade do protagonismo local.

Já Ricardo Barros volta à clássica postura de ‘vetador de Moro’. Embora o ex-juiz e atual senador esteja longe de ser carta fora do baralho eleitoral, o “inferno astral” de Moro tem menos a ver com a persona pública dele e mais com a rejeição crescente do União Brasil à  candidatura, especialmente dentro da federação. O partido reconhece as intenções de voto, mas teme o desgaste e a fragmentação que a presença ‘morista’ traria à chapa majoritária.

No PDT/PT, a paisagem também soa familiar. Requião Filho, junto à cúpula petista, promove a reabilitação simbólica de Alceni Guerra, ex-ministro da Saúde do governo Collor. Trata-se de um gesto que pode ser interpretado como tentativa de dialogar com a centro-direita e com o eleitorado interiorano do Paraná. Mas a aposta é arriscada: Alceni carrega contradições históricas que o PT sempre combateu.

NA TERRA DO TIO SAM

E enquanto todos articulam, se digladiam e ensaiam sorrisos forçados nos eventos regionais, Ratinho Junior, o governador e maestro oculto dessas articulações, está nos Estados Unidos, curtindo férias até o dia 27 de fevereiro. O silêncio do governador talvez seja o mais estratégico dos gestos. Ao se ausentar, ele observa a movimentação de possíveis herdeiros sem se ‘comprometer’ com nenhum.

No meu ponto de vista, o Paraná vive, mais uma vez, um pré-jogo travestido de movimentação política. Os mesmos nomes, as mesmas fórmulas, as mesmas estratégias. O futuro parece próximo, mas o presente ainda depende do passado.

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Cristina Esteche

Jornalista

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