Tradicionalistas iniciam comemorações pelo Dia do Gaúcho, em Guarapuava

Atenções se voltam à Chama Crioula, que foi acesa no Rio Grande do Sul e chega a Guarapuava no domingo (9)

Guarapuava é considerada a cidade mais tradicionalista do Paraná e, para comemorar o Dia do Gaúcho, celebrado em 20 de setembro, as festividades já começaram. Churrasco, o bom chimarrão, as danças típicas, as músicas e o amor a uma tradição herdada dos povos do Sul brasileiro e “importada” pelo tropeirismo fincam raízes na cidade do terceiro planalto e se evidenciam com uma programação especial para festejar a data.

Os eleitos (Foto: Divulgação)

Envolvendo os centros de tradições gaúchas que integram a 3ª Região do Movimento Tradicionalista Gaúcho, o MTG, já foi realizada a escolha da Prenda e do Peão. Se em outros concursos, a “beleza se põe na mesa”, nesse é preciso também conhecer profundamente a cultura tradicionalista, como forma de preservação e difusão dessa tradição. Até 2019, quando novo concurso será realizado, reinam Annabelle Loures Portela e Helison Willian Stronczek (Prenda e Peão Farroupilha), ambos do CTG Fogo de Chão; as Prendinhas Farroupilha são Isadora Marques (Fogo de Chão), Maria Gabrielly Grube Bondim (Chaleira Preta), Lohany Marques (Fogo de Chão) e Ana Laura Bonfim Volf (Chaleira Preta).

Cavalgada com a chama, em 2017 (Foto: RSN)

Agora, durante esta semana, as atenções se voltam à chegada da Chama Crioula, marco do movimento tradicionalista organizado. De acordo com Daniela Zorzeti, do Fogo de Chão, a chama, que foi acesa no Rio Grande do Sul, chegará na cidade, por volta das 14h e será recepcionada no Parque de Rodeios do CTG Fogo de Chão, na PR-170. Em seguida, será levada ao Parque do Lago, onde acontecerão atividades artísticas no domingo (9).

Durante a semana seguinte, de 10 a 14, haverá a Ronda Crioula, quando a chama percorrerá, de segunda a sexta, o Rancho do Taura, o Fogo de Chão, o Chaleira Preta, Teatro Municipal e Rancho Amigo. No domingo (16), haverá cavalgada, desde o trevo de entrada a Guarapuava, na BR-277, até o Parque de Rodeios do Fogo de Chão, às 8h15, com missa crioula, às 10h, Costela de Dois Fogos (R$ 30 por pessoa) e diversas atrações artísticas.

NO CTG FOGO DE CHÃO, O INÍCIO

Foto: Facebook

O Centro de Tradições Gaúchas Fogo de Chão marca o início de um trabalho cultural que se incorpora a milhares de guarapuavanos. Criado no dia 13 de julho de 1965, o Fogo de Chão, cunha a sua marca na cultura nascida nos pagos do Sul.

Tudo tem a ver com a expansão da Sociedade Campeira nos Campos de Guarapuava, após a distribuição das sesmarias e pela ocupação através de posse.

De acordo com Daniela Zorzeti, com relatos históricos, a partir de então, houve uma tendência para as atividades pastoris, em campos nativos. A ascensão da pecuária exigiu maiores extensões de campo, o que favoreceu o surgimento de “bandeiras” conquistadoras de novas áreas, como por exemplo, os “Campos de Palmas”.

Em 1845, Francisco da Rocha Loures, saiu em expedição rumo ao Sul, abrindo assim o “Caminho das Missões”, trajeto alternativo de ligação ao Rio Grande do Sul e regiões platinas. Com isso, deu-se início ao “Cicio do Tropeirismo” em Guarapuava, o qual perdurou até 1930. Quase todos os fazendeiros guarapuavanos tomaram-se tropeiros, compravam mulas no Uruguai e em Corrientes, na Argentina. O gado bovino era comprado nas Missões. Isso propiciou um intercâmbio sócio-cultural entre Guarapuava, Rio Grande do Sul e regiões platinas.

CTG Fogo de Chão (Foto: Divulgação)

A moda gaúcha apareceu, com as bombachas, as botas, as esporas extravagantes, os lenços e palas de seda. A linguagem cabocla foi influenciada pelos termos como “temeiro”, “chimango”, “cochonilho”. Os aperos guarapuavanos, famosos até os dias de hoje, foram se “forjando”. Guarapuava, através do Tropeirismo, tanto foi influenciada quanto influenciou o restante do Sul do Brasil.

As danças e tradições platinas e dos gaúchos incorporaram-se ao folclore regional, surgindo posteriormente o “Centro de Tradições Gaúchas Fogo de Chão”. Diz-se que o trânsito de tropas era tão intenso, nos caminhos que ligavam ao Sul, que com a saída da tropa pela manhã, se colocava mais lenha ao fogo para que quando a próxima tropa chegasse, encontrasse o fogo de chão ainda aceso, criando assim um vínculo de cordialidade entre os tropeiros. Com esse espírito que se homenageia o tropeiro guarapuavano dando nome ao CTG que se criou pela sua influência. Esse CTG tem por finalidade o desenvolvimento de atividades sociais, artísticas e culturais, como incentivo ao culto às boas coisas do passado, em especial o tradicionalismo guarapuavano. O Fogo de Chão, além de suas invernadas Artística e Campeira, possui como filiados dois Piquetes de Laçadores: – Piquete Cacique Candói (Capataz Agenor Mendes Araujo Neto) e Piquete Orelhanos (Capataz Luiz Carlos Calixto).

De Guarapuava, três ex-patrões do CTG Fogo de Chão foram, também, patrões do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) do Paraná. São eles: Sidney Mendes Araújo, o Tio Sid; Roberto Mendes Araújo, o Robertão; e Maurício Mendes Araújo. O atual patrão é Douglas Luiz Limberger.

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