Alunos se transformam em "Professor Pardal" e expõem "engenhocas"

Cristina Esteche

Guarapuava – Criatividade, muita pesquisa, um “empurrãozinho” da tecnologia e uma porção de genialidade. Estes foram os principais ingredientes que transformaram produtos recicláveis em verdadeiras “engenhocas”, capazes de despertar a inveja até mesmo do Professor Pardal. Aquele inventor que permeou as histórias infantis.

Logo na entrada da Faculdade Guarapuava, a FG, na noite de sexta (02) a movimentação era grande. Alunos da Instituição e de escolas do Ensino Médio faziam os últimos reparos para que cada invenção chamasse a atenção, não só do público, mas principalmente, dos avaliadores.

Já na entrada, a música de flauta e de outro xilofone me faz procurar de onde vinha o som. A dupla Odirlei Pícolo e Rogério de Sena, do 7º período de Engenharia Elétrica simplificaram a explicação de uma planta industrial e criaram a flauta mecatrônica. “É tudo comandado por programação como acontece com uma planta industrial”, explica Pícolo. O xilofone foi programado para três músicas infantis: 'Atirei o Pau no Gato', Parabéns Pra Você' e 'Cai Cai Balão'. “São músicas que cabem dentro de uma escala musical”, diz . Já a programação da flauta com diferentes combinações de oito motores permite tocar a 9ª Sinforia de Beethoven.

À frente, uma maquete com a casa considerada ideal, inteira automatizada, também desperta a curiosidade.

João Vitor Eloy da Silva e Yuri Bonetti Techio, do primeiro período de Engenharia Elétrica, explicaram como criaram o sistema de automação residencial. “É tudo acionado por controle remoto. Aqui acende as luzes internas e um sensor externo faz que tão logo escureça as luzes se acendam sozinhas”, explicam. Para eles, a “engenhoca” é simples e levou um mês para ser executada. “Fizemos a maquete, passamos a fiação elétrica e por último a programação do arduíno [mega] . Depois os cabos foram ligados ao computador com a linguagem C++”.

Conhecido pelos cursos técnicos que oferta, o Colégio do Sesi/Senai levou para a feira oito projetos, segundo a coordenadora Noeli Campos. Para facilitar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência visuais, a Luva Guia é destaque, não apenas pela genialidade da invenção, mas principalmente, pelo cunho social do protótipo. De acordo com o professor Marcos Ueno, engenheiro eletricista, e professor de Eletrotécnica do colégio, a ideia nasceu da necessidade do aluno Vinicius Bail. Ele perdeu a visão quando a trava de futebol de salão caiu sobre a sua cabeça, num dos colégios de Guarapuava. “Ele agora é nosso aluno e perguntou se não poderíamos criar algo que o auxiliasse”, disse o professor.

Utilizando um controlador arduíno com linguagem de programação C++, instalado em uma luva ortopédica, sensores de ultrassom enviam sinais para o arduíno que realizará o processamento. De acordo com inventores, a lógica da programação emitirá um sinal sonoro quando for detectado algum objeto a frente da luva. Os alunos que desenvolveram o protótipo são Carlos Henrique Fallac e Gabriel dos Santos Garcia, orientados pelo professor Vagner Vicentini.

O Colégio Francisco Carneiro Martins também se fez presente com dois trabalhos, segundo os professores Marcelo Pinto da Silva (Eletrônica) e Roberto Magnon (Eletromecânica). Um deles procura trazer para a realidade ao impacto da ciência traduzida pela ficção científica. “Quisemos trazer a complicação da ficção para algo simples e real”, disse Guilherme Ribeiro, do 2º ano de Eletromecânica. Ele tem como parceiro Roberto Magnon.

O protótipo de uma mesa touch scream e um holograma contou também com as alunas Lilian Haas e Amanda Machado dos Santos, de Química. Para esse invento foi utilizada madeira, tubos de PVC, vidro, bomba hidráulica (limpador de parabrisas), fonte de 12v, cooler, resistência, webcam, chave liga/desliga, leds, projetor, pregos, parafusos, tubos de cobre, braçadeiras, conectores para chuveiros, componentes eletrônicos e espelhos. As meninas utilizaram água, glicerina e álcool que ainda aquecidos geram fumaça.

De acordo com o professor Edson Luiz Schultz, coordenador do curso de Engenharia Elétrica e de Mecatrônica, a finalidade da Feira de Engenhocas Tecnológicas, foi mostrar que no mundo das invenções as ideias surgem a todo o momento, e muitas vezes podem ser estruturadas como projeto de pesquisa de natureza cientifica, mas em determinados momentos surgem ou aparecem soluções de forma repentina sem muita estruturação, mas com a mesma eficiência para sanar uma dificuldade ou um problema que muitas vezes podem ser designadas de engenhocas.

Assim, o objetivo desta competição é incentivar os alunos do Ensino Médio e do ensino técnico a desenvolver dispositivos ou ações que contribuam para melhoria do cotidiano das pessoas e dos processos de uma forma em geral”. A feira envolveu as seguintes áreas: elétrica, automação, construção civil, eletromecânica, reciclagem, eficiência energética, materiais alternativos, arquitetura e urbanismo, design de interiores, geração de energia elétrica, gestão de processos, hardware e software.

A variedade de "soluções" que pretendem contribuir para amenizar as agruras do mundo é impressionante. Encontrar alternativas para amenizar problemas domésticos, desvendar a base do segredo de um guindaste, mostrar o sistema de geladeira portátil baseado em célula Peltier, ou seja, um semi condutor que aplicado a uma corrente elétrica resfria de um lado e aquece de outro, foram apenas alguns dos 44 trabalhos inscritos e colocados à avaliação.

De acordo com o professor de Física, Juan Carlo Villalba, os quesitos observados foram a estética, conteúdo, clareza, objetividade, originalidade, inovação, relevância, domínio do tema e aplicabilidade do tema.

Cumprida a missão proposta, a esperança de cada um é de algum dia algumas dessas engenhocas possam ser patenteadas.

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